Prefácio

Acto solene da Inauguração

Ao iniciar o Site não podia deixar de encabeçá-lo senão com uma fotografia que marca indelevelmente o momento em que a minha paixão pelo Hóquei em Patins teve início. Apareço nela, alinhado com a minha equipa, por detrás dos Campeões do Mundo, mal imaginando o destino que o futuro me reservaria. Decorria o ano de 1949, tinha eu catorze anos, quando a Selecção Nacional Portuguesa foi a Moçambique inaugurar o então novo ringue do Grupo Desportivo de Lourenço Marques.

Eu e o meu amigo Artur da Silva Vicente (Careca)

Dois anos antes, no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, Portugal tinha conquistado o primeiro Campeonato do Mundo, abrindo caminho a inúmeras vitórias internacionais ao longo das décadas seguintes.

O efeito desse acontecimento foi fulminante e galvanizou várias dezenas de garotos que ouviam os relatos que chegavam pela rádio. Se bem que já praticassem a modalidade, a conquista do título mundial impulsionou-os para uma prática mais intensa, jogando-se entusiasticamente nas ruas, nos clubes, nas escolas e nos liceus.

Todavia, foi a observação directa das actuações dos jogadores da Selecção Nacional que mais impacto teve nas mentes da garotagem que, durante dias, assistiu fascinada a exibições e resultados invulgares. Em termos concretos, foi-lhes revelado até que ponto se podia chegar na prática da modalidade e as sementes lançadas não foram desperdiçadas.

Dez anos depois, meia dúzia desses miúdos, tornavam-se Campeões do Mundo e da Europa e vencedores de Montreux e da Taça Latina, iniciando um novo ciclo na modalidade do Hóquei em Patins Mundial que durou vários anos.

SNECI x Sel. Nacional - De pé, da esq: Soares, Armando Silva, Emídio Pinto, Marciano, Edgar, Trindade e Lomba Viana. Agachados: Velez, Vieira, Raio, Marques Pinto, Correia dos Santos e Cardoso.

Para a história desta magnífica digressão da Selecção Nacional por Lourenço Marques, presto homenagem aos incríveis jogadores que a compunham: Emídio Pinto e António Martins, guarda-redes, António Raio, Álvaro Lopes, António Henriques, Edgar Soares, defesas e médios, Correia dos Santos, Velez, Joaquim Miguel e Manuel Soares, avançados, sem esquecer Jesus Correia que não pôde acompanhar este conjunto, aos quais ficaríamos reconhecidos pelo contributo que deram ao terem acendido a mecha que fez explodir o Hóquei em Patins em Moçambique.

No programa da inauguração do rinque do Grupo Desportivo, teve lugar o jogo da Selecção Campeã do Mundo contra a equipa do Sindicato Nacional do Empregados do Comércio e da Indústria, a partir daqui sempre designada por SNECI, que teve a particularidade de ter feito alinhar o mais jovem guarda-redes de sempre, o Marciano Nicanor da Silva, que sofreu uma goleada de 30 golos, sem culpas para ele, pois os colegas à sua frente, surpreendidos, foram incapazes de travar os adversários que passavam por todos os lados.

Com os Seniores - De pé, da esq: Cardoso, Armando Silva e Boneco Marques Pinto. Agachados: Marques Pinto, Marciano e Velasco

Esta foto emociona-me, pois foi com surpresa que me mandaram equipar. O meu entusiasmo foi de tal ordem que não me apercebi que tinham escondido uma joelheira. Eu bem procurava por ela, mas o de boné encheu-me os ouvidos com a seguinte frase: “Rápido, puto, o fotógrafo não vai esperar por ti!”. Desisti e lá fui de joelho à mostra.

Nesta altura, tanto o Marciano Nicanor como eu, ambos com 15 anos de idade, éramos chamados com frequência para participar em alguns jogos de adultos. Aliás, o Marciano subiu às primeiras categorias bem cedo enquanto que eu fiz o trajecto como júnior “A“, (o SNECI inscreveu 3 equipas, “A, B e C“), bem como o de segundas categorias, cujos Campeonatos Distritais vencemos. Na época 1952/53, aos 17 anos, passei a actuar definitivamente como titular de seniores.

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