Pontuação no Desporto 2

José Carlos Ferro

José Carlos Ferro

Este tema em epígrafe, que foi matéria de uma longa troca de e-mails com o meu amigo Paulo Borges em artigo anterior, mexeu também com José Carlos Ferro, a viver do outro lado do Equador, na África do Sul, satisfazendo assim, a esperança que tinha em suscitar intervenções mais esclarecedoras que arbitrassem as posições inicialmente opostas. Fica patente nos escritos de José Carlos, o seu interesse pelo desporto e, em especial, o conhecimento das modalidades de topo onde tecnologias modernas foram introduzidas para benefício da verdade desportiva. Por conseguinte, é com bastante prazer que dou continuidade a este debate, transcrevendo os seus bem conduzidos comentários.

José Carlos, 15fev2011

O debate sobre a forma de pontuação aqui desenvolvido é muito interessante e bem ‘espremido’ e a qualidade do argumento só aumentou consequentemente.

Pode-se acrescentar que em todas as modalidades existe debate sobre o assunto, por exemplo no caso do basketbol os três pontos fora da area ainda dá que falar, assim como no rugby, teste = 5 pontos, conversão = 2 pontos, antigamente era 2 e 1 respectivamente. A mudança da regra dos pontos foi introduzida precisamente para dinamizar mais o espectáculo do ponto de vista dos adeptos/espectadores e para valorizar e galardoar a equipa com um estilo de jogo mais ‘dinâmico’. O resultado hoje em dia é um jogo que para ser jogado eficazmente tem que ser disputado por equipas fisicamente poderosas e tacticamente planeadas em contorno do poderio fisico dos jogadores tanto individualmente como em conjunto.
No caso do basket a semelhança é muito parecida, hoje em dia por muito bom que um jogador seja, se não tiver uma certa altura, a sua habilidade não se traduz em vantagem contra jogadores mais altos apesar de tecnicamente apresentarem uma certa inferioridade.

De regresso aos pontos, eu penso que o maior problema das equipas melhores não mostrarem por vezes essa superioridade nos pontos acumulados ou em resultados de competições por eliminatória, é uma consequência de arbitragens pobres que por vezes beneficia um e ao mesmo tempo prejudica o outro.

O penalti...

Tem havido muitos casos em que as equipas estão muito iguais em performance e o juiz da partida estraga o ‘show’. Também há casos em que a melhor equipa é favorecida e vice versa, tudo isso ajuda a concluir que as arbitragens fazem muita influência no decorrer do jogo, mas se por vezes a qualidade dessa arbitragem é suspeita a questão agora é: – Como rectificar a situação mais estritamente?

Só posso afirmar que o resultado de uma arbitragem neutra e correcta só pode ser o seguinte:

1) A melhor equipa vence sempre.
2) No caso de as duas equipes estarem ao mesmo nivel, levam os mesmos pontos no final do jogo.
3) Em casos de competição por eliminatórias, golos fora contam mais.
4) No caso de igualidade de golos fora e em casa, o critério da disciplina poderia ser utilizado em vez de ‘extra time’ ou penalties (se realmente a disciplina e fair play é para terem relevância no jogo, seria o impacto desses factores diretamente no resultado que fazeria a melhor equipa em tudo seguir em frente).
5) Sendo os factores em ponto 4 presentes nos jogos de qualificação e depois de tudo ainda estar um empate então nesse caso a aplicação do ‘extra time’ e penalties ou jogo de desempate em campo neutro podem ser considerados ou novas ideas introduzidas.
6) A introdução de meios baseados em tecnologias modernas eventualmente poderá vir a ter uma aplicação até um certo ponto para ajudar o trabalho do juiz da partida.

E’ uma tarefa dificil ao principio porque nao existe uma plataforma comum ou um standard que faça a hegemonia prevalecer em todos os paises praticantes de uma modalidade e as suas gentes.
Em conclusão, enquanto houver diferenças de opinião, haverá problemas desta natureza em tudo, ao mesmo tempo para se evoluir tem que existir diferença de opinião para expor ideas diferentes e tirarem-se vantagens ou não, é um processo continuo e infinito.
Espero que esta contribuição minha tenha causado o efeito desejado. Causar mais confusão!

Velasco, 17fev2011

Caro Zé Carlos Ferro
Li com muito agrado a sua pertinente intervenção, que agradeço. Fez observações interessantes e outras que merecem uma análise.
Em primeiro lugar, queria realçar que a palavra pontos aplica-se a duas situações distintas:
1) Pontos que são acumulados ao fim de um campeonato de uma ou duas voltas, resultado do valor que se atribui à Vitória, ao Empate e à Derrota.
2) Pontos com que se valoriza um Golo (futebol, hóquei, por explo), um Cesto (basquetebol), um Ensaio e respectiva Conversão (rugby)… etc.
Ora, o tema do debate com o meu amigo Paulo Borges, centrou-se exactamente no primeiro destes casos, onde manifestei a minha curiosidade e discordância pelo facto de terem alterado a valorização centenária de V=2, E=1 e D=0 para V=3, E=1 e D=0, que em termos práticos não serve para nada, a não ser criar uma ilusão de afastamento dos mais fortes em relação aos demais, tal como procurei demonstrar na minha argumentação, causando no meio da tabela, aqui e acolá, algumas injustiças.
Entendendo eu que a dinamização do desporto não deverá ser feita por decreto, nas minhas tabelas classificativas, referentes a centenas de provas disputadas no hóquei em patins, introduzi uma coluna com um coeficiente K, ao lado da coluna dos coeficientes Goal average (divisão de golos marcado por sofridos). Este coeficiente K é resultado da multiplicação do goal-average pelos pontos conquistados a dividir pelo número de jogos efectuados por cada equipa. Para mim, este K, uma espécie de coeficiente Força, bastaria, no meu imaginário, para classificar as equipas, por ordem dos valores resultantes, independentemente se ganharam fora ou se perderam com este ou aquele. Acho que seria uma hipótese tipo acertar no Euromilhões, encontrarem-se duas equipas com o mesmo resultado. Se assim fosse, provavelmente que seria interessante arrumar o assunto com uma grande finalíssima. Claro, tudo isto no meu imaginário, onde, um coeficiente simples me permite avaliar o comportamento das equipas.

Quanto ao segundo caso, em que se pretende valorizar a finalidade principal das regras de cada modalidade, (marcar), é aceitável que se tente estimular a qualidade e precisão do gesto desportivo final (caso do basquetebol), o que foi conseguido duma forma espectacular e muito do agrado dos adeptos. Na valorização dos ensaios (rugby) acrescida dum pontapé de conversão os pontos aparecem pela mesma razão, julgo eu, numa primeira instância para premiar o esforço titânico da equipa em ultrapassar a linha do fundo e noutra, para introduzir uma pausa, após o esforço do ensaio, criando-se um momento de tensão e expectativa, no seio dos espectadores, provocado pelo ritual do especialista em pontapés, a maior parte das vezes dados de esguelha.

Antes de continuar, apesar de ver todas as modalidades desportivas, só falando das colectivas, procuro acompanhar sempre eventos do basquetebol e do rugby, de alto nível, regalando-me com o que vejo, ao contrário do hóquei em patins e futebol tradicional que considero serem muito mal praticados.
Se concordo com a necessidade das equipas terem de ser muito bem preparadas fisicamente para proporcionarem um bom espectáculo, já ponho reticências sobre o seu porte físico. É tudo relativo. Na NBA os playmakers são relativamente mais baixos que os companheiros. No futebol, um Messi, faz gato-sapato de qualquer adversário mais poderoso, no hóquei, vem-me à memória o “enfant terrible”, Marzella, com um metro e sessenta a desnortear por completo a nossa Selecção Nacional, em determinada prova Mundial, e por aí fora. Tanto quanto me foi permitido observar, ser alto ou baixo é indiferente, o que importa é o talento de cada um.
Quanto às Arbitragens estou de acordo, dum modo geral é como escreveu. Grandes esforços estão a ser feitos nas modalidades a fim de melhorar a sua qualidade e se o verdadeiro “fair-play” fosse a norma desportiva, (o que é um tanto utópico!), teríamos o problema resolvido.

 

Os apitos...

A sua percepção de que uma arbitragem neutra e correcta causará o seguinte:

1) A melhor equipa vence sempre. De acordo.
2) No caso de as duas equipas estarem ao mesmo nível, levam os mesmos pontos no final do jogo. De acordo.
3) Em casos de competição por eliminatórias, golos fora contam mais. Está decretado que assim é para arrumar de vez com o assunto, pois eu próprio, que ao serviço da nossa Selecção Nacional, fiquei listado entre os seis melhores marcadores de sempre, na modalidade, em média de golos por partida, a maior parte deles marquei-os sempre fora, sem sentir que valiam mais que os concretizados em casa. De acordo que serve nestes casos de eliminatórias, por razões práticas.
4) De acordo com o critério de Disciplina
5) Idem.
6) Em total desacordo. Quem escolhe o “frame” decisivo? Quem vigia os que escolhem? Kafka ilustrou isso bem… Teríamos uma fila de pessoas a vigiar uns aos outros! Além do que, sendo o futebol planetário, 99% dos campeonatos nacionais não teriam recursos financeiros. Alterar os regulamentos para introduzir tecnologias modernas tem de ser para todos ou então, para nenhum!
A sua contribuição não causou confusão, só adicionou matéria ao lote de pareceres, cuja análise poderá enriquecer este tema.

José Carlos, 28fev2011

Olá estimado Francisco Velasco.
Mais uma vez agradeço imensamente a laboriosa profunda e explicita resposta por si oferecida, pois tal resposta vem ter com o meu senso de justica e de “fairplay”.
Concordo com as análises expostas, exepto uma a que já me refiro de seguida.
Ao mesmo tempo quero salientar alguns dados hoje em dia presentes em certos desportos em relacao ao ponto discordante no. 6.
O jogo anti desportivo ou até mesmo batoteiro necessita de adequada vigilância e punimento, perante não só os niveis de profissionalismo, reputação e orgulho nacional de muitos desportos praticados hoje em dia, como também de regulação das práticas desportivas. Nisto acho que existe consenso entre nós.
O facto de que é assumida uma inviabilidade na necessidade prática do argumento em não se poder exercer vigilância suficiente e de se ter de vigiar quem vigia com um certo rigor aceitável por todos com uma consistência acima de duvidas, posso afirmar que em muitos desportos (tanto individuais como coletivos) praticados hoje em dia, como por exemplo na natação, o tenis, atletismo, basquetebol, rugby e cricket. A existência das technologias teem melhorado e refinado tanto a prática dos desportos como os resultados.
No caso do rugby e cricket, a televisão tem vindo a prestar grandes serviços aos árbitros e umpires em determinar decisões de valia disciplinar e pontual com muito mais rigor e justiça do que aquilo que acontecia antes da introdução dessas technologias, particular menção faço da sua utilização no jogo de cricket tanto nos “5 day test” como nos “limited over matches” (50 overs) ou na nova “cricket league format” (20 0u 25 0vers)
Na prática do cricket, para quem não conhece a natureza do jogo, é um jogo em que as regras estão periodicamente em revisão, através das associações locais para o organismo Nacional poder expor em agenda ao nivel Mundial tais problemas para então chegar-se a um possivel consenso, resolução e implementação das modificações para se irem eliminando injustiças, e paralelamente melhorar o espectáculo com um “fair play” e oportunidade de jogo tão bem equilibrados que só ganha quem jogou melhor, apesar de haver acontecerem raramente empates e “banhos” entre equipas de valores muito desiquilibradas. Existia muita batotice até haver o “third Umpire referal system”, com o advento de cameras de televisão e facilidade de replay após a introdução do “third Umpire, Referee” tanto no cricket como no rugby, essa batotice e má arbitragem tem melhorado tremendamente a qualidade do jogo.
No rugby e no cricket, faltas não notadas na altura do jogo são revisionadas após os jogos e os culpados punidos adequadamente com multas , suspensões ou até mesmo irradiação permanente, também os árbitros encontrados de serem menos judiciosos são postos debaixo de investigação e as necessárias intervenções feitas para apurar se existe caso de corrupção etc, etc. Não é utópico mas pelo menos aproxima-se.
Pode-se observar o Campionato Mundial de Cricket a decorrer neste momento na India, Bangldesh e Sri Lanka, para se apreciar a camera de televisão em suporte do Umpire, até ao ponto de os capitães de equipa se não concordarem com certas decisões pedirem ‘referal to the camera’ ao juiz da partida para se eliminarem duvidas.
Ora bem, não existe perfeição mas ao mesmo tempo vai-se aperfeiçoando conforme é necessario, por outras palavras, é um sistema vivo e ao par das necessidades modernas de se ter em conta o que se pode avaliar e determinar hoje em dia em grande pormenor se houve ou não erros graves e menores em jogo, com a ajuda das cameras.
Na conclusão, a quantidade de pontos dados por empate ou vitoria, não importa se são 1 ou 2, 1 ou 3, 1 ou 5, 1 ou 10. Está claro que todos nós que são razoáveis querem ver o que joga melhor ganhar sem batotice ou ajudas de árbitros. O ponto que foi feito em relação a performance, mais golos marcados e sofridos etc, no fim não é o factor determinante, mas apenas os resultados dos confrontos diretos entre todas as equipas, resaliento que sendo as arbitragens feitas com neutralidade e corretamente, a competição só pode trazer a vencedor o Campeão; que o hóquei e o futebol observado hoje em dia está aquém do desejado, basta vermos o que sucedeu no Mundial aqui na A. do Sul o ano passado para exemplo de ‘como não se arbitrarem jogos’.
No caso de empate no fim do campeonato é certo que tem que se encontrar diferenças para apurar quem ganha, mas eu discordo do sistema de golos fora valerem mais como no caso do futebol, para mim um empate fora ou em casa é sempre um empate, eu acho que na procura do fair play, a disciplina poderia ser mais determinante na passagem a fase seguinte, mas isso é um tópico que merece a sua própria plataforma para se debater os meritos e demeritos de cada argumento.
O ‘Gridiron football’ nos EUA por outro lado está talvez demasiadamente dependente das cameras para se poder apreciar um jogo mais corrido como o rugby, mas talvez seja mais justo para quem o apreciar.
No que respeita a recursos financeiros, desde que existam cameras de televisão, existe um ponto de partida, e é claro que há sempre os liders e os seguidores, e desde que se for provando gradualmente as vantagens que uma introdução de novos meios cria no seio desportivo e nao só, quem menos pode vai arranjando maneira comforme pode. E’ provalvelmente um processo tenuoso mas não impossivel de todo.
O tal balanço entre a corrente de jogo e as interrupções, é algo que merece mais discussão, claro, mas também é muito importante ter em conta as opiniões dos adeptos e hoje não se verifica muita tomada de atenção dos organismos controladores a quem consome esses desportos, em maketing isso seria um suicidio, mas em futebol e hóquei nao sei como é possivel esses organismos ignorarem a opinião publica, mas enfim é a minha esperança que com forums como este na internet isso possa vir a acontecer um dia.
Entretanto por hoje aqui fico e espero que este debate continue a merecer a atenção que lhe é merecida.

Nota para quem desconhece: O Gridiron é o popular futebol americano.

José Carlos, 01mar2011

Olá estimado Francisco.
Como parece-me que entre nós o ponto mais divergente é a vigilância nas arbitragens, gostaria de acrescentar o seguinte.
No comentário referente à utopia e ao Kafka, posso afirmar que não é tão utópico e longe do alcance como isso pareça à primeira vista.
Como exemplo posso referir o caso do emprego de tecnologia em muitos desportos hoje dia, coletivos ou individuais como por exemplo, natação, atletismo, tennis, gridiron football, rugby e cricket.
Menciono o cricket porque nos últimos dez anos mais ou menos a introdução de ajuda nas decisões a partir das cameras de televisão, (no que diz respeito aos custos, o seu argumento injustifica a possiblidade de introdução de meios tecnológicos devido aos custos involvidos, mas em reflexão, se já se utiliza a televisão para difundir a partida, esse mesmo aparato pode ser utilizado para fins de arbitragem sem implicar grandes acréscimos ao orçamento do jogo. Claro que como em tudo haverá um processo inicial que será liderado por quem mais interesse e mais poder tem, e subconsequentemente, haverá uma propagação dos meios a todos os cantos onde esse desporto é praticado) tem melhorado o espectáculo de cricket de tal maneira que hoje em dia é o desporto com o maior crescimento ao nivel Mundial.
Basta verificar os paises neste momento a participar no Campionato Mundial a decorrer conjuntamente na India, Bangladesh e Sri Lanka.
De volta as cameras no cricket, a sua utilização na ajuda a decisões dos ‘Umpires’ de jogo limpou alguma batotice e injustiças na sua prática desportiva. Eu penso que no rugby tambem melhorou bastante as chamadas decisões tangenciais, tanto na area disciplinar como na pontual. Nao há hoje em dia quem não reconheça as vantagens da utilização do ‘slow motion replay’ para esses fins.
A questão por si abordada no que diz respeito aos custos, como já mencionei antes, desde que as cameras lá estejam, o resto (third official) não deve ficar um balurdio, os paises com menos possiblidades também querem um jogo mais limpo e resultados mais justos. Isso dos custos é tudo relativo.
No rugby e cricket resolveu-se o assunto sem muitos problemas de custo porque havia força de vontade, no Kenya, Bangladesh, Uganda etc utiliza-se cameras em cricket e outros desportos e esses paises são menos afluentes do que uma Australia ou Inglaterra ou EUA.
No regresso ao impeto causador desta conversa, as pontuações, quero afirmar que no meu pensar, os três pontos para vitoria e um ponto para empate faz o resultado final dar mais vantagem a quem quer jogar para ganhar e claramente desfavorece o tipo de jogo ‘estacionar o autocarro’ mas conjuntamente com melhoramentos nas arbitragens, apesar da utopia estar presentemente fora do alcance, pelo menos seria um avanço na direcção certa para conjugar todos os aspectos relativos aos desportos que necessitam da introdução dessas inovações, para uma melhoria geral. Basta para exemplo o que se verificou em muitas arbitragens no ultimo Campionato Mundial de Futebol em 2010 aqui na A. do Sul.
No caso do hóquei em patins, basta analizar o que aconteceu há uns sete anos atras no ‘ice hockey’ na America do Norte e as suas consequências. Hoje é um desporto que tem vindo a cativar maiores audiências e tamanho da liga.
Um coisa que me ocorre neste momento é o caso dos golos fora valerem mais por exemplo; SCP vs Rangers há uns dias atrás, (não sou Sportinguista) em competições por eliminatória. Porque é que não existe ‘overtime play’ se ao menos não se divide as equipas através dos golos marcados, joga-se até uma equipa conseguir superar a outra se não com melhor jogo ao menos por cansaço fisico, e nessa vitoria ao menos ganha quem é melhor em tudo desde a habilidade e técnica até ao condicionamento fisico, por exemplo Liverpool vs AC Milano na Final dos Campeões Europeus há uns anos atrás.
Nao sei se estou a fazer senso ou não relativamente ao consenso geral por ai observado, mas como já disse antes, na minha mente um jogo vai ter ao instinto básico do ser humano, é uma espécie de batalha em formato moderno em que os mortos e feridos não acontecem como em batalha aberta, mas ao mesmo tempo está em causa a superioridade fisica, intelectual e técnica dos participantes e tambem o musculo financeiro e acima de tudo o orgulho clubista e/ou nacional. Perante tais valores as regras teem que acompanhar os tempos para se conseguir uma melhor valia pelo interesse dos adeptos nos desportos.
No fim de tudo dito e feito, são os adeptos e os atletas que fazem os desportos continuar ou estagnar, existe uma simbiose entre os dois que só é possivel se há cativação dos dois lados, ‘back to basics’ não funciona numa sociedade mediática e com o publico tão bem informado como hoje em dia.
O circo só sobrevive se cativar o público, e o público só vai ao circo se o circo for cativante, e em Portugal hoje em dia com a media que existe, os dirigentes ignorantes deste facto deviam ser excumungados dos seus cargos. Para exemplo, ver o que aconteceu ao treinador da França (Raymond Domenec), presidente da FFF e ministro do desporto após o regresso a casa da selecção nacional Francesa do Campeonato Mundial.
Por hoje aqui fico, mais uma vez vez agradeço este forum pela oportunidade aqui auferida.

Velasco, 10mar2011

Numa apreciação resumida desta troca interessante de pareceres, detecto que existem dois pontos em discordância, a saber:

1) – Valorização dos Pontos por Vitória, Empate e Derrota.

– Como antes inicialmente exposto nos longos e-mails que troquei com o meu amigo Paulo Borges, no artigo Pontuação no Desporto, a questão de se dar mais um ponto às Vitórias, é fulcral para toda a discussão que foi travada. Não é indiferente, dar-se ou não mais 1 ponto por vitória. A razoabilidade desse raciocínio, que visava resolver o tal problema do “autocarro”, a meu ver, peca por ser forreta pois se isso é válido, porque não dar-se 5 ou 10 pontos, repito? Sempre actuei na minha vida desportiva, com o fito de alcançar a Vitória, não sofrer a Derrota e ficar expectante se as coisas terminassem num Empate. Ganhei o primeiro Campeonato do Mundo, numa final em que empatamos com a Espanha, porque esta já tinha empatado antes. Os pontos que são atribuídos a esses desfechos são arbitrários, por uma questão de classificação final dos participantes, em que nós, os atletas, nem sequer pensamos neles. Não seria por a Vitória valer 3 pontos que alteraríamos o resultado verificado. Para mim, a pontuação clássica 2-1-0 é a mais correcta e que dá 1 ponto por cada jogo disputado, tendo nós como total, ao fim duma prova, um número exacto de pontos, qualquer que seja o número de participantes e voltas, igual ao número de jogos realizados. O que é matematicamente inaceitável e ilógico com a pontuação 3-1-0, é não sabermos nunca, quantos pontos tem um campeonato, acabando cada jogo valer 1,43 ou 1,56, e isso só depois do último jogo da prova ter sido realizado. Ora isto não faz sentido nenhum e vai ser muito difícil eu ser convencido do contrário. Para ter uma ideia, quando o Campeonato do Mundo de futebol se realizou na África do Sul, e se formaram os grupos A a H, fiz uma tabela para cada grupo, com duas colunas, uma com a pontuação 2-1-0 e outra com 3-1-0. No final comparei e, em nenhum caso, absolutamente nenhum, em tantos jogos, se verificou qualquer alteração na classificação por causa da nova pontuação. Estranho…

2) – Utilização de tecnologias ao serviço das arbitragens.

Quero esclarecer que aceito de bom grado a utilização de novas tecnologias ao serviço das arbitragens em certos desportos, como muito bem se referiu nos seus escritos, desde que existam condições financeiras para o efeito e que a sua aplicação seja generalizada, daí que nada oponho à sua argumentação em relação aos desportos que mencionou. Todavia temos de atender às especificidades de cada desporto e o poderio económico de cada um. No futebol é irrealizável na medida em que esta modalidade está disseminada por todo o planeta, em países pobres e menos pobres, sendo jogado inicialmente em campos pelados, sem iluminação, melhorando por aí acima, em vários países, abarcando eventualmente uma elite que não corresponde a mais de 20% dos clubes que por aí proliferam. A não ser que queiramos ter uma divisão de Ricos e outra de Pobres. O seu argumento que se a Televisão já lá está e que portanto, sem grandes custos, poderia ser utilizada como 3rd referral também não colhe, pois esse equipamento pertence a sectores privados ou públicos, que possuem uma regi sofisticada, metida em enormes caravanas, onde estão expostos os screens de cada câmara por eles montadas nos campos, com vários operadores, visuais e áudio, um batalhão de electricistas a controlarem os cabos que ligam às parabólicas e aos operadores de câmaras a pé. No meio disto há um director da regi que escolhe a imagem que vai para o ar, que manda fazer replays e slow-motions, todos mediáticos e controversos. O Futebol já utiliza estas imagens, para penalizar incidentes que porventura são captados, porradaria a caminho dos túneis, pé em riste que pisa o adversário, mas isso somente à posteriori, se a imagem for apresentada como evidência, por Clube A ou B, por gravações feitas sabe-se lá por quem. Para se utilizar imagens que esta tecnologia permite, o que seria saudável, tal como os progressos noutros desportos a que se referiu, no Futebol é impraticável na medida em que teriam de existir regis só para este efeito, a um custo enormíssimo, em todos os jogos que se realizam por esses campeonatos todos. Era bom, seria uma fonte de emprego, mas depois teríamos de perguntar, quem é que seriam os operadores, árbitros? Um grupo de árbitros? Essa foi a razão da minha referência a Kafka. Temos de esquecer este assunto da tecnologia aplicada ao Futebol, pois este é um desporto que começa a ser praticado por autênticos moleques da rua, fingidos, simuladores, que não sabendo praticar “bem” a modalidade, nem tendo ninguém que lhes ensine “como”, são musculados pelos preparadores físicos para correrem com malucos em alta velocidade, com entradas violentíssimas, empurrões, abraços e agarrões descarados, como se pode ver nas marcações de cantos. O futebol é a modalidade mais mal praticada no mundo, exceptuando os galácticos, que são de facto um mimo de se ver, e o Hóquei vem logo a seguir. O povo gosta do que vê, não conhece outro, porque esta falta de fair-play avança insidiosamente através dos tempos e o que é, regala-o.

Vou dar-lhe um exemplo: – O Hóquei, que vinha a degradar-se há três décadas, sofreu do mesmo efeito de dominó, musculação para cima, velocidade e correr para a frente como doidinhos, a empurrarem descaradamente com as mãos nas costas dos adversários, setiques a puxar pelo patim do adversário, espalmá-lo de encontro às tabelas e alas, até copiavam os futebolistas que procuram ou fingem ser derrubados na área para beneficiarem duma grande penalidade ou livre directo por ter sido à beirinha da linha. O povo não viu “outro” hóquei, que fazia abarrotar pavilhões, vê este e habituou-se a ele e lá vai indo cada vez menos aos jogos.

Os responsáveis levaram 30 anos, veja que são trinta, a introduzir as faltas pessoais e de equipa que penalizam por acumulação… Foi no ano passado e diga-se em abono da verdade, o que se passa lá dentro, hoje, segundo o que observei nos jogos transmitidos pela televisão, está totalmente limpo e mais disciplinado, só faltando agora saberem praticar bem o hóquei em patins.

Mas nesse ínterim, os rinques pareciam jaulas, rodeados por redes metálicas, e uma multidão hostil do outro lado, alguns a lançarem-se para a rede como macacos. A violência lá dentro contaminava o Zé Povinho, Cheguei a ver a equipa da Espanha, vencedora dum Campeonato da Europa realizado em Portugal, a meterem-se dentro da baliza e levantá-la como um sombreiro, para se protegerem dos objectos que lhes eram arremessados. Cheguei a ver, nesse ínterim, repito, os nossos treinadores mais consagrados a serem cuspidos pela máfia que se punha por detrás, a pontos de terem de puxar os kispos para cima da cabeça. Tudo isso foi melhorando e hoje não existem mais “gaiolas”. A última que visitei, foi quando, como treinador da equipa do Tomar, deslocámo-nos ao recinto do Porto, um ambiente sempre difícil e hostil. Lembrei-me dos meus tempos em que, como jogador, sentava-me na bancada antes dos jogos internacionais e conversava com os espectadores sempre desejosos de nos cumprimentar, de tocar e falar connosco. Nessa noite, no recinto do Porto, não entrei no recinto pelo túnel de rede. Deliberadamente, encontrei uma saída para o exterior e fui parar à falange dos Dragões, aglomerada na bancada de topo, dirigindo-me a um deles e perguntando como se entrava na “gaiola”. Saltaram dois, – «Por aqui, Mr! por aqui…» e levaram-me pelo braço para uma portinhola no outro lado do campo. Acredite, Zé Carlos, deixaram-me em paz e acabaram por despejar toda a adrenalina no treinador do Porto, pois a minha equipa perdeu a dar uma excelente réplica. Isto é um aparte saudosista que procura mostrar como é simples, por vezes, dominar os acontecimentos com uma pitada de naturalidade.

Quanto ao Hóquei em gelo, aconselho-o a fazer uma busca na Net, pois encontrei referências nele que indicam que está a perder a popularidade e que os seus responsáveis estão preocupados com a situação.

 

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