O Guarda-Redes

 

Moreira, a valentia!

Nota de atenção

Antes de mais, devo advertir que a minha visão deste elemento da equipa, foi obliterada pelas sucessivas alterações das regras que se verificaram ao longo dos anos. Esse atleta que se acocorava sobre os patins ou respectivos tacos (travões) e se movia entre os postes da baliza, como um “felino”  em permanente tensão, perdeu a sua simetria. Essa figura ágil e valente, equipada com caneleiras que se amoldavam ligeiramente às pernas e luvas de tamanhos aceitáveis, e impedida de defender com qualquer dos joelhos ou mãos apoiadas no solo, mas que contudo “atacava” os mísseis que lhe eram atirados, desviando-os com os seus admiráveis reflexos, foi desfigurado, apresenta-se hoje como um deficiente, a arrastar um joelho pelo chão.

Olhar felino, de Trullols

Os “engenheiros das regras” acabaram por aparecer, como de costume, sabe-se lá de onde, e transformaram os “gatos” das balizas em autênticos veraneantes de praia, que se espojam pelo areal, protegidos por verdadeiras tábuas a fingir de caneleiras e de luvas quase do tamanho da tampa duma sanita. E é vê-los, a deitarem-se, (melhor, a “defenderem-se”), mesmo antes de a bola partir do setique do adversário, caindo com as pernas para o ar, num acto de acrobacia circense, totalmente caricato. Estas mudanças só serviram interesses obscuros e em nada vieram melhorar o espectáculo – aumentaram as balizas porque queriam mais área para os golos entrarem, pois clamavam que golo é espectáculo, para logo de seguida autorizarem os guarda-redes a usar duas pranchas de surf e a tal tampa de sanita que mencionei, diminuindo assim a área original.

A nova moda...

É urgente reflectir sobre a possibilidade de voltarmos às regras anteriores e forçar os guarda-redes a defenderem sobre rodas, pois trata-se de hóquei em patins. Poderia inventar algo sobre esta figura híbrida que hoje passa a vida deitado entre os postes, mas não o farei, pois tenho esperança que o bom senso prevaleça, que reconheçam que estão a descaracterizar a essência dum desporto que se pretende diferente e não cópia do hóquei em gelo ou de qualquer outro. Esses anónimos “engenheiros das regras”, que deixem de olhar para o umbigo dos outros e olhem para os seus e,  se não conseguirem fazê-lo porque a barriga não deixa, então que mudem de profissão ou façam um viagem até ao Triângulo das Bermudas.

 (Conheci um dirigente de cúpula dum país com historial no hóquei em patins, que tinha um filho entroncado e poderoso, com o seu 1,90m de altura,  um tanto tosco a patinar, que conseguiu, com persistência e com a posição que ocupava, que as regras fossem alteradas de modo a permitir levantar o setique acima do ombro. Desse modo, o filhote podia entreter-se a atirar uns petardos ao jeito de quem está a jogar golfe e o pai extremoso delirava com os uáus que o povo soltava com o estrondo da bola a embater na tabela, porque na baliza pouco acertava. Que interessava a esse senhor, dirigente de cúpula, cego de amor paternal, que esse gesto de levar o setique acima da cabeça, fazia diminuir a precisão da seticada, que continua deveras baixa? NADA, absolutamente nada e o resultado foi que o tosco já não joga e nós herdámos uma espécie de golfadas!)

Durante a minha prática desportiva, quer como jogador quer como treinador, nutri sempre grande admiração e respeito por essa figura que lá atrás, muitas vezes entregue a si próprio, acaba por ser determinante em muitas partidas, sem ser os tais 50% que se propagam num exagero injustificado. Será no máximo 1/5 da equipa e há que lembrar que os melhores guarda-redes do mundo, tais como Emídio Pinto, António Matos, Zabalía, Soteras, Largo, Alberto Moreira, Vítor Domingos, António Ramalhete, Carlos Trullols, e outros modernos, tinham à sua frente, como colegas, uma plêiade de jogadores notáveis.

Preparação dos Guarda-redes.

(Co-Autores: Alberto Moreira e Francisco Velasco, Campeões do Mundo, da Europa e Latinos)

Introdução

Guarda-Redes acrobata

Não cabe a um treinador escolher, de um grupo de atletas, aquele que irá fazer carreira como guarda-redes (GR). Essa será sempre uma decisão pessoal em qualquer dos escalões etários de formação. Normalmente, uma criança ou um adolescente que goste bastante de hóquei em patins, ao reconhecer que não domina as técnicas de patinagem, como os outros, experimenta esse lugar por iniciativa própria, tal o seu desejo de não ficar de fora da equipa ou do seu grupo de amigos.

A formação e preparação dos GR’s deve obedecer a certos princípios. Há que considerar as características do atleta, o grupo etário em que se enquadra, a sua condição psíquica e compleição física, em confronto com os demais companheiros. Analisados esses factores, estabelece-se um plano de trabalho, a curto ou médio prazo, decidindo-se por uma programação de treinos que contemple o estágio em que cada um se encontra. A seguir, descrevem-se alguns exercícios de técnica e de táctica:

Grupos etários – jovens: Escolas, até juniores

Em relação a estes atletas, o treino deverá der composto de exercícios básicos, tais como: colocação, trabalho de pés e mãos, posição de setique, devolução da bola ou paragem dela, tendo sempre o cuidado em deixar as potencialidades de cada um desenvolverem-se livremente em busca dum “estilo próprio”. Contudo, há que observá-los com atenção a fim de se eliminarem erros evidentes e permitir que as suas qualidades se apurem de um modo progressivo.

Os treinos serão divididos da seguinte maneira:

a – preparação individual

Aquecimento muscular que deverá ser constituído por exercícios na posição de “jogo”, com movimentos nos quatro sentidos: para a frente, para trás, para a direita e para a esquerda; extensão da perna direita em “defesa” e rápida recolha para a posição inicial, repetindo-se o exercício para a perna esquerda; defesa lateral com as duas pernas juntas, para a direita e para a esquerda; extensão da perna direita no sentido do canto superior direito e vice-versa; extensão das duas pernas para a frente, em “defesa”, e imediata recolha das mesmas com a ajuda das mãos ou mão, imaginando uma situação em pode acontecer uma recarga.

Posição do setique: – Este deve ser seguro paralelo à posição do GR, o mais possível junto ao piso, (situação normal), posição fundamental na paragem dos remates rasteiros.

Posição de corte: – Funciona com o setique a “varrer” a área a cortar a fim de, não só interceptar a bola, como dificultar a acção do adversário que apareceu “em cima do GR”. Este deve lembrar-se sempre que ao tentar interceptar a bola, não deve inviabilizar, por sua má movimentação e colocação, qualquer defesa que seja obrigado a fazer, por sua má movimentação e colocação.

Trabalho de mãos: – O uso destas pelo GR é muito importante e essencial na paragem e desvio de remates e a sua utilização deve ser sempre estimulada. Criar-se-ão para o efeito, vários tipos de exercícios: remates a longa, média e curta distância; arremesso contínuo de bolas para várias posições que busquem o apuramento de reflexos rápidos e defesas correctas. A mão livre, sempre que o adversário se torne uma ameaça, deve permanecer na posição de “palma da mão para a frente”, com o braço e respectiva mão numa posição intermédia, que permita agir rapidamente na área exposta. A mão que segura o setique deve ser exercitada da mesma maneira, porém as defesas serão efectuadas com as “costas da mão”, antebraço e braço que, como é óbvio, terão de estar adequadamente protegidos.

Tronco: – Nas seticadas súbitas e frontais, o tronco do GR é utilizado como barreira ao trajecto da bola. Nessas alturas, o GR nunca deverá procurar uma posição em que possa defender com os pés ou as mãos. Usará o tronco, que tem de estar muito bem protegido, com peitilhos acolchoados e protecção para os ombros. Com inteira confiança no material de protecção, o GR, nas marcações de canto e outras penalidades laterais, deve manter-se parado se a bola vier na sua direcção.

Cabeça: – A cabeça deve estar protegida com máscaras adequadas que deverão ser leves mas resistentes e apropriadas à configuração do rosto e do crânio. A visibilidade terá de ser perfeita, permitindo uma visão sem interferências em todos os sentidos. No que diz respeito às máscaras com viseira transparente, hoje vulgarizada pela maior protecção que oferece, o fenómeno da condensação tem de ser levado em linha de conta, especialmente em climas frios. O calor do corpo e do rosto provocará o embaciamento desse tipo de máscara.

Todavia, a resistência desses capacetes com viseira, permitem que possam ser utilizados, “in extremis”, para desviar bolas súbitas, que venham à sua altura, daí que exercícios devem ser feitos desde os escalões inferiores aos mais elevados.

Treinei GR’s seniores, atirando-lhes bolas para que as devolvessem com a viseira e o respectivo capacete, primeiro lançando-as de vagar de modo a perderem o “medo”, para depois incrementar a velocidade das mesmas, até vê-los, sessões depois, a mergulharem para “cabecearem” as bolas de volta.

Os preparadores físicos e treinadores, devem atentar que os glóbulos oculares também podem e devem ser treinados, com exercícios em que o GR, com a cabeça imóvel, segue um dedo que se movimenta a um palmo da sua cara, perseguindo-o com o olhar. Dois GR’s podem divertir-se a fazerem isso um ao outro, nas pausas que se verificam nas sessões.

b – Preparação do conjunto

O guarda-redes ocupa uma posição diferenciada da dos demais jogadores e com funções e actuações distintas. Com estas aparentemente individuais, não pode dissociar-se da preparação táctica da equipa e deve ser integrado nela como qualquer avançado. Isso permitir-lhe-á uma melhor antecipação dos acontecimentos e a possibilidade de fornecer novos dados resultantes da sua própria perspectiva que possam contribuir para uma melhoria das acções tácticas da equipa.

O grupo não pode esquecer que o GR é o último obstáculo aos objectivos do adversário e que uma falha sua… resulta normalmente num golo! Por vezes, mesmo os melhores deles sofrem “frangos”, daí que tanto o GR, tal como os colegas, devem ser mentalizados para reagirem casualmente a esse incidente, sem expressões críticas de desânimo. Os jogadores da frente têm de reconhecer que antes de sofrerem um golo, provavelmente, um ou outro deles actuou com menos eficácia. O GR vai seguramente reagir e continuar a instilar confiança à equipa, com a sua orientação e alertas para os adversários que entram nas zonas perigosas.

Grupos etárioa: – adultos: juniores e seniores

Tudo quanto foi escrito, referente ao treino e formação dos GR’s jovens, aplicar-se-á aos atletas adultos, como fase de aquecimento, pois parte-se do pressuposto que estes já estão “feitos” e há vários anos que competem nesse lugar. A partir de certa altura, outro tipo de preparação deve ser ministrado ao GR, que lhe permita desenvolver mais a sua capacidade atlética e técnica e condicionar melhor os seus reflexos às várias opções de acção, quer estas sejam de carácter posicional, individual ou conjugada com a equipa. Para máximo rendimento, o GR deverá ter consciência das suas virtudes e utilizar estas para colmatar os defeitos que possua.

Os aspectos tácticos deverão ser analisados ao pormenor, devendo o GR estudar as alternativas que lhe restam, discutindo-as com o seu treinador. Não podem ficar questões em “aberto”. As soluções têm de ser encontradas em função do estilo, das características e da capacidade de cada um.

a – Preparação individual.

Exercícios, (técnica e atlética):

– O GR coloca-se num dos postes da baliza. Efectuam-se remates de meia distância para o lado contrário que ele procurará defender de qualquer modo, pois são defesas de recurso em condições que exigem reflexos rápidos, coordenação de movimentos e capacidade atlética.

– O mesmo exercício em situação contrária.

– O GR coloca-se junto dos postes, mas agora virado para a tabela.

– O mesmo exercício em situação contrária.

– Remates frontais e laterais, com um jogador a movimentar-se dentro da área, pronto a efectuar recargas, sem preparação. O GR tentará deter os remates feitos a média distância, tentando aliviar a bola para zonas fora do alcance do avançado que pretende recarregar.

Estes exercícios constituem um indicador dos defeitos e virtudes e, nesta fase de apuro técnico e atlético, não é aconselhável alterar as características do GR mas sim optimizar os resultados do mesmo. O acompanhamento cuidado do treinador e uma conversa franca com o GR , estimulando-o para que apure mais as sauas capacidades específicas, estudando os seus erros e corrigindo-os de sessão para sessão, é sempre uma intervenção oportuna que pode levar o atleta a “encontrar-se”. O lugar de GR não é fácil, antes pelo contrário, é a posição que exige mais cometimento, resistência à dor e uma grande dose de audácia e sangue frio. Uma atitude da parte dele, de autocrítica e humildade, conferir-lhe-á confiança nos seus recursos. Nada se alcançará sem dedicação, persistência e trabalho contínuo e, o que é fundamental, uma análise profunda dos aspectos positivos e negativos ocorridos nas sessões anteriores.

Conseguido este objectivo, entrar-se-á numa fase mais adulta e racional, a fase “pensante” em que se investiga tudo, desde o treino simples ao trabalho de conjunto e em que a baliza passa a ser uma superfície geométrica rectangular cuja área sujeita a golo será uma função do espaço ocupado pelo GR na sua zona de manobra.

Sua colocação...

– Se o GR, representado por uma linha e setas, (fig. 1), se posiciona em “B” relativo ao atacante em “A”, cria-se um ângulo de golo “EÂD”, a cinzento, formado pelas linhas a tracejado. Obviamente, para impedir a entrada da bola, o GR deverá avançar ligeiramente em direcção do atacante e colocar-se na posição “C”, o que anula o ângulo de golo. O GR deverá sempre agir deste modo, avançando a distância que, em seu discernimento, é a mais segura de acordo com as suas capacidades de acção e recuperação.

Apura-se a capacidade para uma boa colocação, com o seguinte exercício, (fig. 2), que considera um semi-círculo com o seu diâmetro coincidente com a largura da baliza.

Semi-círculo de treino.

– Com os atacantes a moverem-se transversalmente, a meia distância e para lá da linha de grande penalidade, o GR deverá percorrer esta linha, procurando, com as suas posições sucessivas, eliminar ou diminuir os ângulos de golo.

– O mesmo exercício em sentido contrário.

Treino de posicionamento

– Com o atacante “A” a partir duma posição frontal, em direcção a um canto da área, rematando sempre que possível (fig. 3).

– O mesmo exercício em sentido contrário.

– Com o atacante “A” a fazer paragens periódicas e rotação seguida de remate.

– O mesmo exercício em sentido contrário.

– Com o atacante “A” a fazer paragens periódicas e rotação seguida de remate e outro atacante “B”, à ilharga do GR, pronto para recargas sem preparação.

– O mesmo exercício em sentido contrário.

b – Preparação colectiva

Exercícios (táctica):

– O GR, sempre que tenha colegas à sua frente, deve considerar vários factores que condicionam os remates. Assim, uma “defesa fechada” provoca dificuldades aos adversários, impedindo-os de entrar na área de grande penalidade e mesmo nas zonas vizinhas. Surgirão inevitavelmente remates a meia distância que exigem um campo de visão desobstruído e o GR nunca deve perder de vista a bola. A fim de poder antecipar a sua vinda.

No caso de três adversários contra dois defesas, a movimentação dos adversários procura quase sempre a deslocação dos dois defesas de modo a criar um espaço livre para o terceiro tentar o golo. Daí, o GR deve sugerir aos seus colegas de equipa que “empurrem” os oponentes para as tabelas, lateralizando os seus remates que se tornam fáceis de deter.

Lateralização dos atacantes

– Os defesas “4” e “5” barram a passagem dos atacantes “1” e “2”, (fig. 4), induzindo-os a passar a bola ao atacante “3” que se encontra numa zona (a cinzento) de ângulo de remate nulo. Dependendo da velocidade da jogada, o defesa “4” empenhar-se-á em impedir que o atacante “3”, de posse da bola, ultrapasse a linha “AB”. Se a jogada volta ao início os defesas regressam também às posições iniciais. Estas mesmas acções, na posição inversa, isto é, do outro lado do campo, poderá causar resultados totalmente diferentes, dadas as características dos que defendem, se são dextros ou canhotos. Por conseguinte, haverá que estudar e encontrar a resposta adequada em termos de posicionamento dos atletas.

– Aplica-se o mesmo princípio no caso de dois adversários para um defesa, devendo este actuar de modo a lateralizar o atacante com bola que passará a ser da responsabilidade do GR. De imediato, o defesa deverá manter-se sempre na linha de passe de modo a poder interceptar qualquer bola que seja enviada para um colega do atacante, que entretanto se aproximou.

Ataques frontais.

– No caso em que o GR tem de enfrentar um só atacante, ver “situações repetitivas”, “0x1”, as possibilidades de defesa são elevadas, se bem que críticas e, quanto mais próximo o atacante estiver do GR, “fig. 5”, mais dificuldade terá de levantar a bola e metê-la por cima dos ombros do GR. Assim, os remates desferidos do ponto “A”, à entrada da área, são mais difíceis de defender do que do ponto “B”.

Defesas de remates:

Obviamente, defender e evitar o golo é a preocupação principal do GR. No entanto, este deve fazê-lo sempre com consciência e de acordo com as circunstâncias do ataque, optando pela paragem da bola e rechaçamento dela para posições mais convenientes, quer estas sejam a curta, média ou longa distância.

Paragem da bola: – O GR deverá, sempre que possível, deter a bola, fazendo-a cair numa área em que possa dominá-la facilmente, a fim de poder entregá-la ao colega de equipa que se encontre em melhor posição. É uma opção que o GR deve aplicar quando a sua equipa está a ser pressionada com remates contínuos ou quando o ascendente táctico da equipa adversária é notório. Com esta acção o GR poderá provocar não só uma paragem no ritmo do jogo como também evitar que, ao rechaçar a bola de qualquer maneira, ela venha a cair novamente na posse do adversário que assim continuará a sua pressão.

Zonas de segurança e perigo

No exemplo da (fig. 6), em função da seticada desferida pelo atacante “1” e das posições relativas dos demais jogadores vê-se claramente as zonas de segurança, a cinzento-claro, para onde se deve rechaçar a bola e a zona perigosa, a cinzento-escuro, a evitar, pois é uma zona ao alcance dos atacantes “2” e “3”. Este exemplo é apenas uma das várias situações conjecturais entre defesas e atacantes, zonas perigosas e de segurança. Outros esquemas podem ser desenvolvidos, baseados nos mesmos princípios, que o GR deverá ser discutir com o treinador e os seus colegas, assentando definitivamente acções comuns para as soluções achadas.

Estas soluções, apesar da ideia arreigada na mente de alguns de que o GR deve defender para o lado, sempre, ou para a frente e com força, sempre, são a prova que não há processos imutáveis mas que estes dependem e são função das circunstâncias do jogo e, especialmente, do posicionamento dos atletas dentro do campo.

Rechaçar a bola com colocação da mesma:

Vimos atrás que há zonas diferenciadas para onde colocar a bola. O GR tem normalmente mais três opções, o que não invalida a simples lateralização da mesma nos casos em que isso é necessário. São elas o rechaçamento para curta, média e longa distância.

Curta distância: O GR defende, amortecendo a bola, e passa-a para o colega mais próximo e desmarcado. Utilizará os meios mais seguros, ou sejam, a parte do lado interior da bota e patim, o setique e, finalmente, no caso de bolas altas, a mão enluvada.

Meia distância: Depois de defender e amortecer a bola, o GR atirará a mesma para o colega desmarcado, a meia distância, utilizando o setique ou, então, executando um pontapé. Obviamente, estas acções têm de ser exercitadas até se tornarem eficientes e seguras.

Longa distância: Esta defesa e o passe que se segue, concretizam-se com um pontapé enérgico, atirado com força pelo GR, na direcção dum colega desmarcado e postado a longa distância, que deverá ter em conta a trajectória que a bola leva e a distância a percorrer, não vá a mesma ser interceptada pelo adversário.

Defesa consciente...

No exemplo da (fig. 7), no remate do jogador “1”, a bola é defendida e pontapeada para o defensor “5” que, antecipando a acção, “saiu” para ir recebê-la e iniciar um contra-ataque. Não será demais realçar que estas acções do GR terão de ser treinadas intensamente se quisermos obter um elevado grau de eficiência.

Em tempo: Como complemento importante do conteúdo desta página, sugiro que se atente à valiosa informação científica apurada nos seguintes estudos:

O Guarda-redes de Hóquei em Patins, da FPP

Perfil do Guarda-redes de Hóquei em Patins, elaborado pelo prof. Rui Pedro Oliveira Amorim, da Universidade de Coimbra (2008)


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