Hóquei burro… Futebol burro…!

Benfica x Barcelona, em futebol.

A propósito deste tão aguardado jogo, não apenas pelo 0x2 nem pelos incríveis 75% de posse de bola desta magnífica equipa, mas sim pela incapacidade dos treinadores adversários em acabar com aquele exasperante “tic-tac” que caracteriza o seu modo operandis.

Pus-me a meditar sobre o que venho afirmando ao longo do meu Site, que o Hóquei em Patins e o Futebol são as modalidades desportivas, ditas colectivas, que pior se praticam no planeta, aparentemente organizadas em codificações numéricas exotéricas à mistura com os tais quadrados ou losangos que só ocasionalmente são visíveis, mas marteladas ad nauseam por todos os “experts” da nossa praça. Todavia ambas vivem da casualidade, do imprevisto, da confusão, do ricochete, dos agarras, dos derrubes cirúrgicos, por vezes intencionalmente maldosos, das quedas dentro da área e gritos de penalti!

O Hóquei, diga-se de passagem, melhorou o seu fair-play com as novas regras disciplinares e entrou nas marcações cerradas ao homem, um patamar aceitável, não obstante a falta de soluções para resolver os problemas de jogo. É o que calhar! O Futebol também não tem emenda nesse aspecto, e estas duas modalidades pecam por não conseguirem introduzir sistemas tácticos de grupo que as transportem para os níveis mais elevados da sua prática. Improvisam as suas acções e vivem exclusivamente dos seus artistas, do génio criador dos galácticos, que são um mimo de se ver e de se apreciar, mas que não resolvem o problema do grupo.

Isso observou-se neste interessante jogo que merece uma análise inteligente e lógica. Uma equipa atlética e tecnicamente bem preparada, o Benfica, não conseguiu jogar porque só teve posse da bola durante 25min do jogo (é o que dizem), tendo passado 70min a correr incansavelmente atrás dum berlinde que lhe escapava sempre. Convenhamos, o Benfica enfrentava uma equipa com pergaminhos de monta, com 4 temíveis jogadores no ataque, onde se destaca Messi… e, a não ser que se esperasse um milagre, em princípio o Barcelona ganharia. O problema então seria como perder, se por 1, 2 ou 3 golos, mas onde se visse o Benfica jogar, ou se da forma humilhante de andar a correr dum lado para o outro, atrás dum “tic-tac” que atirava a bola com muita frequência para trás, para o seu lado do campo.

Não sou treinador de futebol, nem sei como os treinos decorrem, mas como treinador de Hóquei em Patins, tenho ideias sólidas sobre várias questões de carácter táctico que dum certo modo são aplicáveis ao Futebol. Se fosse o orientador do Benfica, preparava o grupo para acabar com o tal tic-tac, e fá-lo ia de uma forma muito simples. Mas antes umas considerações lógicas.

– Ao contrário das modalidades de pavilhão, Futsal, Andebol e Basquetebol e Hóquei em Patins, a inferioridade numérica tem peso e é um handicap para o adversário. Mas se forem expulsos um jogador de cada lado ou dois jogadores de cada lado, o jogo prossegue equilibrado sem grandes angústias para os beligerantes. Este raciocínio aplica-se na íntegra ao Futebol.

– No Futebol não existe inferioridade numérica mesmo que 1 ou 2 atletas da mesma equipa sejam expulsos. Se forem 2 para o balneário, ficam do seu lado 8 defronte do guarda-redes e eu nunca vi a equipa adversária atacar com 9 para usufruírem a desvantagem de 8 do adversário. Deixam sempre 2 atrás, não vá o diabo tecê-las… e atacam com 8, desfazendo a superioridade numérica.

– Quando uma equipa de menor categoria defronta outra superior que se encontra rotinada num determinado estilo de jogo, o único pensamento inteligente de um Treinador é desenhar uma solução que vise eliminar esse estilo do adversário. Neste caso flagrante, seria acabar com o “passes incessantes“. E como o faria? Do seguinte modo, sendo os círculos vermelhos o Benfica, as setas a cheio o movimento dos mesmos e as setas a tracejado a atenção a ser prestada:

Mal tivesse início o jogo, ou pouco tempo depois, 4 ou 3 jogadores avançavam consoante estivessem lá 4 ou 3 adversários, para uma marcação cerrada aos mesmos, com o lema persistente – “nós não jogamos mas vocês não recebem a bola e também não jogam!” Se eu fosse jogador, preferia eliminar um adversário do que a andar a correr como um desalmado atrás de uma bola que me era negada.

Marcação dos 4 defensores

Acabava-se o “tic-tac” em todo o campo e prosseguia-se o jogo 6 contra 6, ou 7 contra 7, em relativamente metade do campo, sem as confusões geradas pelos passes para trás dos espanhóis. As marcações e acções defensivas do Benfica seriam mais fáceis e qualquer recuperação de bola contaria sempre com os 4 ou 3 jogadores já adiantados que largariam os adversários que estavam a marcar para se disporem numa frente de apoio ao contra-ataque.

Marcação dos 3 defensores e o 4º adiantado

Com uma certeza fico eu, haveria menos confusão e seria mais fácil e clarividente defender contra 6, mesmo que haja um Messi, um Fabregas ou Iniesta por ali, nada havendo a fazer senão ter redobrada atenção com eles. Talvez o primeiro resolvesse o jogo com a sua invejável categoria e o Benfica perdesse na mesma, mas o “tic-tac” humilhante desapareceria de vez, evitando que os nossos jogadores, frustrados, entrassem por uma via agressiva como se verificou nos últimos momentos do jogo.

Foi o que vi. Posso estar errado na forma de como acabar com a flagrante retenção de bola por parte do Barcelona, ou qualquer outra equipa, mas duvido que esta minha sugestão seja algo de outro mundo. A tendência futura é as equipas copiarem esse modelo de jogo quanto mais não seja por uma questão de mimetismo e receio que isso não será do agrado dos espectadores, passado o êxtase com que os benfiquistas aplaudiram o Barcelona, sem repararem na falta de imaginação da sua própria equipa.

As soluções requerem audácia por parte dos treinadores, mas acho que estes preferem não fazer ondas, mantendo-se agarrados a soluções tradicionais que para muitos seria uma blasfémia violar.

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