1957 Espanha em Moçambique

Um ano crucial

Este foi um ano marcante, de intensa actividade. Uma vez finda a época local, por iniciativa do Clube Ferroviário de Lourenço Marques, a Selecção de Espanha, que acabara de conquistar o Campeonato da Europa, deslocou-se a Moçambique como Selecção da Catalunha. Esta fortíssima equipa apresentou todos os seus titulares, os guarda-redes Carlos Largo de Celis e José Roméu Soteras, os médios Juan Orpinell Queraltó, Francisco Boronat Cano e Antonio Parellá Trallero e os avançados Manuel Puigbó Rocafort, Enrique Roca Amat e Pedro Gallén Balaguer, liderados pelo veterano capitão Augusto Serra Mustich.

Os jogos foram disputados no pavilhão do Clube Desportivo da Malhangalene, na altura o único coberto, perante lotações esgotadas. A formação do Clube Ferroviário da qual eu fazia parte já como jogador/treinador, alinhou com o guarda-redes Raul Gonçalves, os médios Joaquim Miguel e Manuel Carrelo, Francisco Velasco e Júlio Carneiro, além de António Martins (GR), Octávio Candeias e Agostinho. Como lhe competia, realizou a partida inaugural, tendo perdido por (3×4), sendo um sinal positivo para estimular as outras equipas locais que, apesar de se terem batido com galhardia, perderam todos os jogos, por diferença mínima, tendo em linha de conta que era a primeira vez que enfrentavam equipas estrangeiras, neste caso, os Campeões Europeus.

Finalmente, no dia 27 de Junho, iniciaram-se os jogos mais importantes. Um Misto de Lourenço Marques, formado por Alberto Moreira (GR), António Souto, Fernando Adrião, Velasco, Carrelo, titulares e Alfredo Bettencourt (GR), Abílio Moreira e Romão Duarte, derrotou os nossos “hermanos” por (4×3), gerando grande entusiasmo e expectativa para o jogo que se seguiria.

No dia 29, formaram-se enormes filas de pessoas, junto do portão do Malhangalene, ansiosas por obterem os bilhetes que receavam viessem a esgotar-se. E foi com o Pavilhão superlotado, que a Selecção de Lourenço Marques, composta por Moreira na baliza, António Souto atrás, Adrião a médio, Velasco e Amadeu Bouçós no ataque, e os companheiros Carrelo, José Souto e Bettencourt (GR), derrotou surpreendentemente os Campeões da Europa, por expressivos e surpreendentes (5×1), situando o hóquei moçambicano a um nível que transcendia a categoria nacional.

Dias depois, a Selecção da Catalunha deslocou-se à Beira com os patinadores artísticos Sigrid Knake e Gunther Koch, vencedores em pares mistos, do V Campeonato de Mundo, realizado em Barcelona em 1955. Eu acompanhei-os e integrei a equipa do Clube Ferroviário da Beira que enfrentou a espanhola.

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