1956 Lusalite, Vila do Dondo

Depois do SNECI fui para a Beira, onde fiquei cerca de um ano, na fábrica da LUSALITE, no Dondo, de Outubro de 1955 a Setembro de 1956. Trabalhei primeiro na Contabilidade e, depois de passar pelo Laboratório, fui integrado na Sala Técnica, onde o desenho técnico se revelou como a área profissional que desejava dominar e prosseguir, dada a minha queda natural para o desenho.

A razão primordial da minha ruptura com o Clube em que me formei, o SNECI, está descrita noutro capítulo deste Site e, aparte a mesma, a minha ida para aquela cidade explica-se por sentir, na altura, uma grande relutância em mudar de camisola em Lourenço Marques e jogar contra antigos companheiros e amigos de infância. Como fiquei inactivo durante uns tempos, apareceram convites de outros clubes, em especial um, endereçado via o meu saudoso Pai, um Ferroviário de longa data. Disse-lhe que tinha de ser eu a resolver esse problema e ele, que nunca interferira nas minhas questões desportivas, compreendeu facilmente as minhas reservas.

Por coincidência, tendo sido abordado pelo Engenheiro Fernando Frade, director da fábrica da Lusalite, para sua surpresa, resolvemos num almoço todos os detalhes da minha transferência e, dois dias depois, partia com ele para a Beira.

A Vila do Dondo situa-se a cerca de 30 kms da capital de Manica e Sofala. E tal como o engenheiro Frade descrevera, a fábrica era um local fora de vulgar, com a área de produção, oficinas e escritórios rodeados por uma urbanização muito bem delineada, onde se dispersavam as moradias do pessoal, a sede e refeitório do Clube, o rinque de patinagem, campo de futebol e um jardim frondoso, local de recreio de todas as crianças e até adultos. Defronte do jardim, a cinquenta passos do rinque, erguia-se a Vivenda Alegria, onde se instalavam os solteiros da terra.

Fiquei encantado com este cenário, onde passei um ano que considero dos mais importantes e sossegados da minha vida desportiva. Depois da exigente digressão a Portugal, desenhava-se no horizonte uma época bem mais tranquila, e o facto da equipa em que me inserira ser bastante fraca não me preocupava e, após um período de adaptação ao novo emprego, passámos a concentrar-nos no recinto de patinagem, todas as tardes iniciando os treinos para as competições que teríamos de realizar na Beira.

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