As belezas do desporto de Lourenço Marques

As desportistas, essas meninas tão queridas de todos nós…!

Ao escrever sobre Lourenço Marques, num artigo anterior, mencionei que esta cidade, situada noutras paragens do mundo, em termos de equipamentos desportivos, não tinha rival em toda a Metrópole de então. O historial das façanhas levadas a cabo pelos praticantes de desporto dessa cidade, é perene e ninguém pode contestá-lo. Procurei preservar os seus feitos no Hóquei em Patins, sem nunca esquecer os alcançados noutras modalidades, volumosamente registados nos respectivos Websites.

Ao Atletismo, Futebol, (saqueado as nauseam pelos clubes metropolitanos), Basquetebol, Natação, Vela, Automobilismo, Tiro, Caça, Boxe, Badmington, Tênis clássico e de Mesa, Hipismo, Pesca Submarina, etc., nunca faltaram praticantes empenhados que atingiram elevados níveis de sucesso, quer individuais quer colectivos.

Vem isto a propósito de uma lacuna minha, consequência da natural falta de registos, relacionada com o desporto feminino que, desde os meus 13 anos de idade, (estamos a falar de 1947 em diante), foi ganhando espaço e atingiu patamares de excelência que atraíam multidões de espectadores. A Patinagem Artística evoluiu imenso sob a liderança da grande patinadora Lotte Cadenbach, campeã mundial individual em 1952 e pelas exibições de Sigrid Knake e Gunter Koch, campeões mundiais de dança pares em 1956. Estes últimos visitaram Lourenço Marques em 1957. Curiosamente, pouco tempo depois, o hóquei em patins Feminino fez umas tentativas que não resultaram.

Não tenho capacidade para descrever a epopeia dessas meninas. As fotografias que se seguem, gentilmente cedidas por Óscar Soeiro (as do Grupo Desportivo Malhangalene) e Joaquim (Ruiz) Reis, (as do basquetebol feminino), abrem uma pequena brecha no edifício construído e dizem tudo, espero eu. Por meu lado repeti uma do Badmington.

Nota: – Seria interessante dar nomes a todas essas “lindezas”…  se porventura familiares ou amigos reconhecerem os seus faciais, ficaria grato que me enviassem os seus nomes, se possível, completos, por e-mail ou via Contacto, na barra de topo, nomeando-as da esquerda para a direita, de pé, do meio e agachadas, conforme for o caso. Seria uma dor de coração não poder identificá-las.

Basquetebol

1 – Selecção de Lourenço Marques – De pé, da esq.: – ? – ? – Teresa Cabral – ? – Marina Ferreira – ? – Agachadas: -? – ? – ? – ? – ? – ? –

2 – Selecção x Universitárias sul-africanas. Agachadas; – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – Teresa Cabral – ? –

3 – Sporting de L.M. x Universitárias sul-africanas: – Agachadas: – ? – ? – ? – Teresa Cabral – ? – ? – ? – ? –

4 – Sporting e Ferroviário de Lourenço Marques: De pé, da esq.: – ? – ? – ? – ? – Teresa Cabral – ? – ? – ? – ? – No meio: – ? – ? – ? – ? – ? – Sentadas: – ? – ? – ? – Nita Pinho – ? –

5 – Equipa do Sporting de Lourenço Marques. Da esq., de pé: – ? – ? – ? – ? – ?, Maria da Graça Velasco, -? – Agachadas: – ? – ? – ? – ? – ? – ? e Teresa Cabral

6 – Equipa: Da esq., de pé: Maria da Graça Velasco – ? – ? – ? . Agachadas: -? – Teresa Cabral e – ? –

7 – Sporting: Da esq., – ? – ? – Teresa Cabral – ? – ?

 Patinagem Artística do Grupo Desportivo de Malhangalene

8 – Da esq., de pé: – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? – Ajoelhadas: – ? – ? – ? – ? – ? – ? – ? –

9 – Da esq., de pé, atrás, parcialmente visíveis: – ? – ? – ? – À frente, totalmente visíveis: – ? – ? – ? – ? – ?

10 – Da esq.: Mia, Bia, Migui, Aida Silva (Tila), Maria Teresa (Moreira).

11 – Da esq., de pé: … Salvado da Costa, …Leitão, Maria dos Anjos (Mianjos), Aida Silva (Tila) – Ajoelhadas: Migui, – ? -, …Ramalho Coelho e …Ramalho Coelho.

12 – Da esq., de pé: …Leitão, Aida Silva (Tila) – Ajoelhadas: – ? -, Migui e …Ramalho Coelho.  

13 – Da esq.: Aida Silva (Tila), Lotte Cadenbach e …Leitão. 

14 – Aida Silva (Tila)

 Hóquei em patins feminino

Lindérrimas!

15 – Da esq.: – ? – ? – Migui, – ? – ? – e Guarda-redes minhoca:) – ? –

16 – Migui

Não podia esquecer a nossa esbelta patinadora artística…

17 – Céu de Oliveira, em 1949, a comandar a “malandragem” do SNECI cujas faces aparecem a seguir ao porta estandarte Júlio Roncon: – Nicanor (gr), eu, Lelito, Teddy Warne, Cardoso, ?, Jé-Jé Horta, António Souto, Rui Paredes, Armando Silva, Sobral de Almeida, Zeca Souto, Raul Mateus (gr), Trindade e por detrás Peter Tonnies.

   Badmington

Equipa do Ferroviário: Da esq., de pé: – António Pereira Leite, Ivone Costa, Abrileta Velasco, Delminda Maltezinho, Helder Maltezinho – Agachados: – Adão (Linda) Ribeiro, Guilherme Soares, – ?

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15 Responses to As belezas do desporto de Lourenço Marques

  1. Oscar Soeiro says:

    Na fotografia do badmington em baixo e da esquerda para a direita : Adão Ribeiro (Linda), Guilherme Soares, ambos já falecidos e ???
    Um abraço

  2. Velasco says:

    Obrigado, Oscar… já está legendado. Continua o bom trabalho.

  3. José Pinto says:

    Quantos anos terá a foto nº15 ?.Achei engraçado os patins que se apertavam com correias ou maxilas !Sou desse tempo. Joguei no malhanga até junior no tempo do Vitor Rosas. Lembro-me muito bem da Migui. Era na altura uma criança ( eu também ) muito bonita.

  4. Velasco says:

    Caro José Pinto
    Esta foi uma tentativa das meninas praticarem hóquei. Penso, aliás, tenho a certeza que as proibiram de usar botas de patinagem artística, para não as danificar. Se reparar bem, são as mesmas moças que aparecem nas outras fotos.
    Cumprimentos

  5. Jose pinto says:

    Caro velasco
    A minha observação apenas teve a ver com as recordações que me trouxeram da minha infancia, pois os meus primeiros patins eram de maxilas , quando eu patinava nos passeios , rodas de ferro,depois bota com rodas de madeira e mais tarde de fibra.
    Cumprimentos

  6. Velasco says:

    Caro José Pinto
    Puxando também pela memória, eu patinava com tudo que tivesse rodas, tendo começado com uns de aluguer extensíveis, com orelhas que apertavam as solas das biqueiras dos sapatos, estragando-os, o que levou os meus pais a obrigar-me a usar sapatilhas que não davam para as orelhas. Mas a fome de patinagem era tal que amarrava as ditas com fio de electricidade o qual por vezes soltava-se e aí era trambolhão pela certa… As rodas eram estreitas, de lata prensada e, mais tarde, de alumínio ou de ferro (estas quando chovia). Eventualmente apareceram os patins ingleses Hamaco, com cubos e esferas, cujo chassi era de aço cromado leve, com rodas de madeira prensada e que o atrito, no cimento dos rinques abertos, descascava com as travagens, acabando por ficar hexagonais 🙂 … Com a aparecimento dos patins alemães Polar Rex, com rolamentos de precisão, vieram também as rodas de fibra. Como era muito conservador, mantive o chassi Hamaco, com os jogos de rolamentos do Polar Rex e passei a usar rodas Valcor de fabrico português que se adaptavam a qualquer piso. Para vermos a qualidade destas rodas que deixámos de produzir, vinte anos depois, o célebre Vila Puig da selecção de Espanha, abordou-me durante o Mundial de 1982 no Porto e perguntou-me onde poderia comprar as rodas Valcor. Ofereci-lhe um jogo de dois que ainda conservava comigo e o outro está aqui ao meu lado, numa estante. Durante os dez anos da minha carreira desportiva utilizei este material e nunca mudei de botas… Isto é o que me recordo ao correr do teclado!
    Um abraço

  7. josé pinto says:

    Caro Velasco
    Foi com enorme alegria que li e reli , mais estas suas recordações, de quem foi um dos meus ídolos de infancia.Acompanhei sobretudo através dos relatos radiofónicos quanto o Sr brilhou e quanto nos encheu de orgulho juntamente com F.Adrião , moreira,souto ( meu vizinho ) e bouçós .Desculpe a ousadia penso que na sua discrição se esqueceu de mencionar o stick da marca ” reno ” era assim não ?Será que ainda existem?Que tempos saudosos em que o desporto era pelo desporto!

    Um grande abraço

  8. Velasco says:

    Existiam várias marcas de setiques. Comecei com uns de fabrico nacional, bastante pesados e duros, passando depois a utilizar os manufacturados pelos espanhóis, importados pela Casa Lido. Eram da marca Reno, preferindo eu o Reno Internacional que para mim, ainda é hoje um dos melhores, apesar da enorme variedade à disposição dos hoquistas, não só de setiques como de rodas para pisos rápidos e lentos. Ao fim e cabo, tantas novidades não passam de manobras para servir os interesses comerciais dos fabricantes e resmas de intermediários que só encarecem o equipamento. Mas estamos na era do consumismo e nada há a fazer… Desporto pelo desporto estava condenado à partida, resultando no que por aí vai, uma indústria em que os atletas foram transformados em meros activos para trocas e baldrocas, em que milhões passam de mão em mão. Senti-me bem como praticante amador, era livre e expressava-me como tal.
    Nada tenho nada contra o profissionalismo no desporto, é uma necessidade porque os patamares de excelência requerem muito tempo para treino. Porém, entristece-me ver uma vastíssima base de clubes e desportistas em dificuldades a suportarem no topo uma elite de milionários que não seriam nada se os primeiros não existissem. Mas, c’est la vie…!

  9. José Pinto says:

    Ainda bem que estamos sempre a aprender.Desconhecia que existiam rodas para pisos lentos e rápidos!! No tempo do Velasco já existiam ?Há uma questão que me intriga…tendo sido um dos melhores do mundo porque deixou a carreira em LM tão cedo quando pelo menos alguns do seus companheiros continuaram,Adrião,Moreira etç..se a memória não me trai ( 63 anos ) constou-me que o motivo foi ter ido para a Africa do Sul.Peço-lhe desculpa por eventualmente estar a ser indelicado com tanta pergunta, mas é o preço que pagam os que fizeram história neste mundo.Obrigado

  10. Velasco says:

    Caro José Pinto
    Não tem de me pedir desculpas e longe de estar a ser indelicado com as suas perguntas. Este local de comentários serve exactamente para isso, funcionando como um “feed-back” importante para me aperceber do impacto que os que acedem ao Site sentem perante os artigos. De um certo modo funciona como um complemento do que já escrevi e nunca é demais esclarecer outros aspectos que porventura tivessem sido omitidos.

    Fiz a minha festa de despedida em Lisboa depois do Mundial que vencemos em Madrid, em 1960. Nessa altura já tinha contabilizado 12 anos de prática apaixonada da modalidade, sendo que os últimos 5 anos foram de intensa participação nos torneios das selecções Regionais e Nacionais bem como nas provas do Clube que representava e de que era jogador/treinador. Durante esse período, a viajar práticamente duas vezes por ano de Lourenço Marques para a metrópole, conquistei, com os meus colegas, todos os títulos internacionais possíveis, Campeão Latino, Campeão da Europa e Campeão do Mundo (este duas vezes).

    Sucede que fiz o desporto por desporto, vivi apaixonadamente a sua prática não vivendo dela e enquanto o mesmo não interferisse com a profissão que escolhera, tudo bem… Mas quando senti que o desporto começara a prejudicar a minha carreira profissional, decidi friamente pôr fim a tal estado de coisas. Compreendo perfeitamente que, sendo todos nós figuras públicas, idolatradas lá no nosso burgo, que nos vissem como umas abencerragens que não faziam mais nada do que andar à paulada dentro dos rinques. É natural e aceitável que olhassem para nós como se tivéssemos um setique na testa. O problema é que isso me incomodava sobremaneira daí que, um ano depois da minha festa de despedida, partia para Timor onde estive 2 anos e meio a exercer paulatinamente a minha profissão que requeria tranquilidade e sério cometimento.

    Quando regressei a Moçambique, a pedalada era demasiado frouxa para a embalagem que trazia. No ano seguinte demandei a África do Sul onde permaneci 13 anos.

    Quanto às rodas para pisos lentos e rápidos, foi uma moda comercial que pretendeu esconder o caos reinante na construção de pavilhões, onde cada cabeça uma sentença e cada uma delas destituída de lógica arquitectural. Nunca percebi, ou aliás, percebo bem, porque jamais estudaram um piso óptimo, standard e adequado à Patinagem e ao Hóquei em Patins, (técnicamente possível), uma vez que quase todos foram construídos para esse fim.

    Como disse, “c’est la vie”!

  11. Victor Araujo says:

    Velasco, numca nos conhecemos mas eu estive em L. Marques onde te vi jogar.
    Li isto tudo com grandes recordacoes.
    Entretanto e relacionado a Migui que andou na escola comigo na escola Jose Machado
    poderas dar noticias dela?
    Saudades
    VA

  12. Velasco says:

    Caro Victor Araujo

    Sobre a Migui, o único contacto que tenho é através do Facebook, onde por vezes trocamos umas mensagens. Vai com o nome de Migui e um patim como foto de perfil. Tente por aí.
    Um abraço

  13. Humberto Almeida says:

    O Adam (linda) faleceu aqui na minha terra-Águeda. Felizmente a sua mulher, a Amélia, ainda é viva e aqui residente.

    O Adão, vivia na sua juventude, defronte de mim, na Pinheiro Chagas.

  14. Velasco says:

    Conheci um Humberto que jogava basquetebol, serás tu? Os meus cumprimentos à esposa do Adam, uma figura inesquecível do “baloncesto”. Um abraço.

  15. ana maria says:

    Boa tarde Sr. Velasco, apesar de nao o ter conhecido pessoalmente, lembro-me mto bem do seu nome, pois era mto famoso naqueles tempos do hokei em patins de Moçambique. Quero agradecer aqui, por Publicar imagens do desporto de Moçambique. Sou moçambicana, de nacionalidade portuguesa, tb fui desportista, patinei no Clube Ferroviario de Nampula, era de 1970 ate 1974, em solo e em par com meu irmão “Joca”. Meu treinador de patinagem artistica era Sr.Gonçalves. Só tenho pena de não ver nesta página de desporto mais fotos outros atletas de outras cidades daqueles tempos de Moçambique. Das fotos k, expos aqui do hóquei, tive o prazer de conhecer pessoalmente o Carlos Pereira ( mto bom jogador) e o guarda redes (creio k era Fernando..) acho k, tb era desportivo malhangalene, e a Lote Cadenbach Ribeiro. Algumas patinadoras do SNECI, a Aninhas, Manuel, excelentes patinadores, k tive muito prazer de os conhecer, foram pupilos da Lote.
    Bom Ano 2017 para si e família, Bem Haja.

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