Se fosse entrevistador desportivo…

Controvérsia interessante retirada do local dos Comentários da página: 1960 XIV Campeonato do Mundo – Madrid

 —  Submetido por Luís Prates, em 2012/02/17 às 12:35

«Se fosse entrevistador desportivo e tivesse a oportunidade, não deixaria de lhe fazer as seguintes perguntas:

– Que jogador nacional o impressionou mais?

– E estrangeiro?

– Como se definiria como jogador?»

Kanimambo

— Submetido por J. Mendes em 2012/02/19 às 14:50

Caro Luís Prates:

Não leve a mal que lhe diga que com a segunda pergunta, sem querer, tenho a certeza, meteu o Grande (não me refiro à altura que também é verdade) Velasco num aperto dos antigos! Pois, do meu ponto de vista, nenhum jogador estrangeiro do tempo de Velasco para trás, possuía técnica e habilidade que se comparasse às dos portugueses, Panagini incluído.

Cumprimentos do Mendes

NB: – Nem sequer estou a mentir por patriotismo, que é coisa, outrossim, do passado.

— De acordo com o seu ponto de vista em relação à segunda pergunta. Os dedos de uma mão chegariam para contar os jogadores estrangeiros com a habilidade e técnicas semelhantes às dos portugueses de então. Contudo, atrevo-me a insistir no italiano Panagini, como se justificará no próximo artigo nesta categoria e lembrar os irmãos Pierre e Marcel Monnay da Suiça.

— Deixarei para o fim uma resposta à terceira pergunta e, a partir deste ponto, tratarei dos jogadores que mais me impressionaram. 

Caro Luís Prates

Impossível destacar o hoquista nacional ou internacional que mais me impressionou. É vasta a lista de grandes jogadores que proliferaram através dos tempos, fazendo as delícias dos aficionados. Trabalhoso vai ser separar essas “estrelas” e identificá-las na “abóboda celeste” do nosso universo do Hóquei em Patins, sabendo que as mais brilhantes só se revelam porque são acompanhadas pelas que brilham menos e outras que mal se distinguem. Como são inúmeras, agrupá-las-ei em “constelações” sobejamente conhecidas, Portugal, Espanha, Itália e Argentina. Que me perdoem as “estrelas” que não distingui.

Outra dificuldade, e não aperto,  reside no facto de as ver sempre espartilhadas por parâmetros definidos como fundamentais para caracterizar um jogador de hóquei, a ver: – Capacidade Física, Patinagem, Domínio de Bola e seu Manejo, Qualidade e Precisão de Seticada, Criatividade nas simulações, Visão de jogo e Audácia nas acções, quer de carácter individual quer colectivas, incluindo o sentido de Responsabilidade e Espírito de “fair-play” que deve comandar a prática desportiva.

A solução será talvez, valorar uns tantos atletas, tal como as agências de rating, que andam por aí a afundar os países, começando pelo que, na minha discutível tabela e ao correr das lembranças, assumirá a classificação mais alta: AAA +++ e por aí em diante:

PORTUGAL

AAA +++ António Livramento

AAA ++ Fernando Adrião – Alberto Moreira GR – António Ramalhete (GR) – Jesus Correia – Correia dos Santos – Emídio Pinto GR – Amadeu Bouçós – Victor Carvalho (Chana) – Pedro Alves –

AAA + Fernando Cruzeiro – Luís Ferreira – Reinaldo Ventura –

AA +++ José Vaz Guedes – Edgar Bragança – Manuel Carrelo – António Matos (GR) – Júlio Rendeiro – Cristiano Pereira – Victor Hugo – Victor Bruno – José Leonilde Leste – José Carlos Gomes – João Sobrinho – Fernando Pereira – Franklin Pais – Virgílio – Victor Rosado – Jorge Vicente – Vitor Piedade Domingos – Leonel Fernandes – José Amilcar Passos – Carlos Realista – Pedro Trindade – Luís Nunes – António Rocha – Filipe Gaidão – António (Tó) Neves – Víctor Fortunato – Filipe Santos – Sérgio Silva – Paulo Almeida – Paulo Alves – Guilherme Silva GR – Luís Viana – João Pedro Fernandes – Ramalho – Rui Lopes – Ricardo Pereira – Ricardo Figueira – Ricardo Oliveira – José Carlos Silva GR – – José Santos (Piruças) – António Tomás (Picas) – Domingos Guimarães GR – António Chambel Heitor GR – Joaquim (Quim) Silva GR – Flores Cardoso – Braga Borges – Pauleta GR – Antonio Borges – Alvaro Pinto – Jose Souto – António Martins (GR)

AA ++ António Raio – António Souto – Vasco Velez – José Lisboa – Armando Vilaverde GR – Joaquim Miguel – Besteiro – Julio Carneiro

AA + Domingos Perdigão – António Candeias – Rui Faria – Pompílio Silvestre – Carlos Bernardino – Mário Lopes – Francisco Salema –

AA Sidónio Serpa – Olivério Serpa – Cipriano Santos – Manuel Soares – Álvaro Simões

ESPANHA

AAA +++ Juan Enrique Torner

AAA +++ Trullols GR

AAA ++ Largo GR – Villa Puig – Puigbó – Orpinell – Boronat – Centell – Roca – Gallén – Pujalte – Nogué – Masco – Sabater

AA +++ Zaballía GR – Villacorta – Torres – Alabart – Rovira – Santi Carda – Parella – Serra – Ayats – Pauls – Borregan – Ismael GR – Carlos Figueroa

ITALIA

AAA +++   Giuseppe Marzella

AAA ++   Fontana GR – Franco Girardelli – Panagini – Bolis GR – Massimo Mariotti – E. Mariotti – Bernardini – M. Bertolucci – Alberto Michelion – Alexandre Michelion – Alessandro Barsi – M. Bertolucci – Parasucco GR – Colamaria Tommaso – Amato – Cunegatti GR – Cupisti GR. – Stefano Del Lago- Claudio Anedda GR – Roberto Borrini – Giancarlo Fantozzi – Maurizio Righi – Paolo Maggi – Faccin – Crudeli – Orlandi

AA +++ Tavoni – Gelmini II – Printz – Marchetto – Brezigar- Battistella – R. Saccardo – Faschini – Dalceri – Frasca – Caricato – Turturro – Gelmini I – Dagnino – Aldo – Villa – Portolini

ARGENTINA

AAA +++ Francisco (Panchito) Velasquez

AAA ++ Aguero – Daniel Martinazzo

AA +++ Carlos Gil – Roberto Roldan – Mario Rubio

AA ++ José Martinazzo – Carlos Coria – Gabriel Cairo – Mariano Velasquez

— Auto retrato

Como jogador e sem falsa modéstia, suponho que posso posicionar-me ao nível dos AAA, tendo conseguido satisfazer os parâmetros definidos na minha resposta acima mencionada , deixando, como é natural, os (+s) para os que desejarem fazer esse afinamento. Fiz a minha aprendizagem com muito empenho, treinando-me ao limite, anos sem fim, procurando descobrir as subtilezas da prática da modalidade, em especial no que concerne às técnicas individuais que procurei levar à máxima perfeição e eficácia, desenvolvendo, entre outros, os gestos de simulação, quer com setique e bola, quer com o corpo, o célebre “body talk”. Sendo esta Capacidade Táctica Individual a arma mais importante de um hoquista, ela não é suficiente para atingir o seu potencial mais elevado. Bem cedo, aos vinte e dois anos, como treinador/jogador, concluí que tinha necessidade de estar enquadrado num sistema organizado e tranquilo, antecipando com o decorrer dos tempos, a necessária Capacidade Táctica de Grupo que proporciona um melhor rendimento aos atletas e à equipa.

Resumindo, seria talvez uma espécie de Gabriel, o Pensador, compenetrado nos jogos e absorvendo as actuações dos companheiros, da equipa e dos adversários. Terminada a disputa, registava as minhas dúvidas e certezas, anotando-as ou memorizando-as.

Essa paixão levou-me a enfrentar todas as experiências de jogo ao mais alto nível e, com o decorrer dos anos, desde 1956 até 1964, solidificaram-se no meu subconsciente as convicções que começaram a dar forma ao Carrossel, como Teoria Universal que avanço como válida ainda hoje, não obstante um novo paradigma estar instalado como resultado das alterações das Regras.

 

 

 

 

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