Época 1984/85 – Sporting Clube de Tomar – parte 4

Rescaldo de uma viagem de cerca de 4.000 kms terrestres… ida e volta!

O Treinador, essa "alminha"...

Para não perder o fio à meada, recordo que no dia 28 de Abril, agastado com o rumo que as coisas tinham tomado e em especial pelas súbitas interferências na minha condução da equipa, solicitei uma reunião moderada pelo Presidente do Clube, logo após o encontro contra o Grundig, propondo que os responsáveis da Secção se afastassem e dessem lugar a outros com quem eu pudesse trabalhar com tranquilidade. Listei factos demonstrativos da incapacidade, incompetência e desorganização demonstrada pelos mesmos. Curiosamente, não houve nenhuma discussão acesa, nenhum contraditório de que me recorde, antes pelo contrário, a conduta dos intervenientes permaneceu calma e, aparentemente, os visados acabaram por se demitir, “in loco”, de acordo com a informação que o Presidente me prestou.

Após termos saído de Paris, durante a viagem de regresso, o que poisava no “galho mais de cima”, agarrou o microfone do autocarro e endereçou-me inesperadamente uma série de críticas, falando para a audiência alinhada nos assentos, composta pelos atletas à frente e os acompanhantes mais atrás. Não pude ficar indiferente e, quando chegou o momento próprio, da mesma plataforma, dei a resposta que aquele desaforo merecia.

Para esclarecer todo este imbróglio nada melhor que a reprodução ou transcrição do que era reflectido na Imprensa local e na correspondência que foi travada sobre esta desastrosa digressão, tão auto-elogiada pelos seus mentores.

Praça da República, Tomar (editada de Wikipedia)

Chegámos a Tomar no dia 1 de Maio, sendo recebidos por alguns Nabantinos amigos e apoiantes do Sporting Clube de Tomar, numa praceta da cidade, que prodigalizaram montes de carinho a todos, sem excepção. Quem nos observasse, até diria que tínhamos ido à lua e regressado com uma amostra de rochas. Fui para casa de imediato, com a necessidade premente de recuperar do desgaste provocado pelas várias noites mal dormidas, consciente que não voltaria mais a Tomar.

Há tempos, numa troca de e-mails relacionada com comentários no meu Site, citaram-me uma lei básica da Comunicação com que estou de acordo: – “Uma mensagem não compreendida nunca é culpa do Receptor mas sim do Emissor”. Reconheci que neste caso tinha falhado e que, no futuro, se voltasse a exercer as funções de Treinador, o que já punha em dúvida, teria de ser ainda mais explícito no respeitante às regras de conduta geral, se porventura desejasse evitar confusões desta natureza. Mas vamos ao banzé que criei.

Timbrado do Clube

No dia 2 a 4 de Maio, a tal árvore em Tomar encheu-se de criaturas e a agitação foi notória. Algumas folhas planaram e entre elas, umas que mais pareciam registos da algazarra que teve lugar, uma vez que o problema agora era ter tudo bem planeado para enxotar dos ramos, não um mas os dois mal-amados do grupo. Deste e daquele galho, ouviram-se lamentos e decisões mas referir-me-hei somente a três que dão uma ideia do ambiente gerado em 3 de Maio.

1 – Dum galho rasteiro: – Hoje tive conhecimento de factos bastante tristes que se passaram na deslocação da nossa equipa de Hóquei Sénior a França. Depois de meditar sobre o que me tinha sido relatado, é com profunda tristeza e até angústia que concluo da má formação do Sr. Francisco Velasco, até então tão bem camuflada. Porque gosto muito deste clube e daí pensar que dentro dele só homens podem trabalhar… Nota em tempo actual: Este pendura, cuja obsessão notória era insultar ou dizer mal dos árbitros, centrou agora a sua tara no Treinador, aparentemente prostrado por uma profunda tristeza e angústia… Angústia, imagine-se!

2 – Dum galho do meio: – Face ao conhecimento que tive do comportamento do Sr. Velasco durante a digressão a França e outros comportamentos menos dignos para o bom nome do clube… é meu dever solidarizar-me com os seccionistas… condicionando a minha continuidade na direcção ao afastamento imediato do referido treinador e ainda que os seccionistas demissionários retirem o seu pedido de demissão.

3 – Da ramagem em geral: – Dados os factos gravosos verificados… A Secção deliberou:

Apresentar à Exma. Direcção a sua demissão colectiva… e manter-se nos galhos para assegurar o normal funcionamento… etc., etc.

Condição a não presença do treinador Velasco. (Nota, em tempo actual: irrelevante pois este já estava instalado na sua árvore original, desde o dia 1 de Maio).

Repudiar os ataques verbais daquele treinador para com os elementos directivos, apudando-os (sic) de incompetentes, com a agravante de serem proferidos perante atletas e acompanhantes da caravana o que denota total desrespeito pela ética que sempre tem regido este clube. Nota, em tempo actual: (Vê-se que não percebem nada de desporto: O que teve lugar foi um meu contra-ataque oportuno e decisivo, como reacção ao ataque verbal, lançado pelo tal do galho mais de cima).

Manifestar o seu total desacordo com as atitudes assumidas pelo Senhor Presidente em diferentes situações que se consideram desprestigiantes não só para com os elementos desta Secção como para o próprio Clube. Nota, em tempo actual: Aqui está o busílis… já uma das criaturas tinha profetizado que o Presidente ainda havia de cair da cadeira, tal como o Antoninho…

Garatujado por todo o clã arbóreo presente.

Prosseguindo, em 4 de Maio, a Direcção do Sporting Clube de Tomar envia-me uma carta expedida naquela cidade em 17 de Maio e recebida por mim no dia 20, onde a minha proposta de afastamento dos seccionistas era tratada: «… foi deliberado que os seccionistas em causa continuassem a desempenhar as suas funções, sendo, implicitamente, regeitada a sua proposta. (sic)»

Datada do mesmo dia 4, escrevem-me a dispensar dos meus serviços como treinador, ofício que devo ter recebido também no dia 20.

Com este assunto encerrado, de volta a Cascais, e sem querer levantar mais ondas que pudessem prejudicar a equipa do Sporting Clube de Tomar, ainda a disputar o Campeonato Nacional, fui recuperando da saga penosa que caracterizou esta excursão a França.

Entretanto, no dia 14 de Maio, a Direcção do Clube emitiu o seguinte comunicado que foi publicado no jornal Cidade de Tomar.

«Comunicado, datado de 14 de Maio (Com pedido de publicação).

«A direcção do Sporting Clube de Tomar, depois de apreciada e analisada a deslocação da equipa de hóquei a França, deliberou por maioria, informar os associados e simpatizantes do clube:

Considerar altamente positiva a participação do clube no Torneio Internacional de Tourcoing, tanto pela experiência colhida no seu «baptismo internacional», como pelo aprumo e conduta socio-desportiva patenteada pelos seus elementos representativos e congratular-se ainda com as deferências e elogios dispensados ao Sporting, tanto pelas Entidades Oficiais Francesas ligadas à organização, como pelo Clube Organizador, sendo de realçar o facto de ter sido o Sporting Clube de Tomar o único clube convidado, desde logo, a participar no próximo Torneio.

Não aceitar, por descabidas, desajustadas das funções de técnico e até por se considerarem desrespeitosas, as imposições do treinador, Sr. Francisco Velasco, tomadas no autocarro, aquando do regresso de França, exigindo como condição para a sua permanência no clube, o afastamento de dirigentes, pessoas de reconhecido mérito e que ao Sporting têm dispensado incondicionalmente o melhor do seu esforço e saber que muito tem contribuído para o prestígio do clube e assim, deliberaram por maioria dispensar de imediato os serviços daquele técnico.

Repudiar não só a posição do Sr. Presidente da Direcção ao solidarizar-se com as atitudes assumidas pelo treinador como ainda por ter manifestado o desejo de se desvincular dos restantes elementos directivos e assim, propuseram estes, manter-se em funções sob a condição do Sr. Presidente solicitar a sua demissão, ao que este anuiu e foi aceite pela Mesa da Assembleia Geral do Clube.

Nota: – Sobre este comunicado, em 28 de Maio, escrevi à Direcção do Tomar, acusando recepção da tal carta de 4 de Maio, expedida em Tomar em 17 e chegada às minhas mãos em 20, onde está bem claro que “rejeitavam a minha proposta”, tal como se pode ler na transcrição acima. Afinal, não impus não exigi… fiz somente uma proposta!

Sobre “o aprumo e conduta sócio-desportiva patenteada pelos seus elementos representativos”, lembrei-lhes que os únicos elementos obviamente visíveis e reconhecidos no exercício das suas funções, jogo atrás de jogo, tinham sido: – A) O seu PresidenteB) a Equipa, o Treinador e o Grupo Técnico. Os outros… andavam por ali!

No respeitante “à solidarização do Presidente”, escrevi-lhes que «esta só poderá ser moralizadora para mim, na medida em que me faz crer que este mundo não é totalmente “cão”. Ao fim e ao cabo, a dignidade das pessoas medem-se por estas atitudes.»

Finalmente, digno do “Guiness Book”, devo ter sido o único treinador no mundo a ser notificado 2 vezes, de despedimento imediato, a primeira por escrito em 4 de Maio e segunda  por comunicado de 14 de Maio!!!

Tomei conhecimento deste comunicado poucas horas após a sua publicação e, de imediato, escrevi uma extensa carta a João Bernardino, do Cidade de Tomar, datada de 15 de Maio, com um anexo de 16, detalhando as razões da minha saída e que foi publicada em de Junho. O facto de ela só ter vindo a lume nesta data, deve-se ao pedido que fiz a esse jornalista, de só fazê-lo quando as coisas atingissem um ponto intolerável para com o meu bom nome ou por viciação da verdade. Fiquei sempre grato a João Bernardino e ao “Cidade de Tomar” por terem sido fiéis à palavra e ao espírito de jornalismo justo e honesto que demonstraram.

Curiosamente, no mesmo dia 16, saiu uma notícia no jornal “A Bola”com o título da praxe: «Velasco dispensado pelo Sporting de Tomar», que mexeu com o meu brio, merecendo de minha parte um esclarecimento que o mesmo jornal, como é seu apanágio, fez publicar no dia 18.

Neste interim, no dia 24 de Maio, foi publicado no “Cidade de Tomar”, um pedido de esclarecimento ao comunicado do Sporting de Tomar.

«No seu comunicado da semana passada, a Direcção do Sporting de Tomar informa-nos ter dispensado de imediato os serviços do técnico Francisco Velasco. Como nem nós sócios, nem alguns membros da Direcção possivelmente, foram suficientemente informados de quais as causas que terão levado o Velasco, que todos nós conhecemos bem como técnico e como homem calmo e correcto que sempre foi, a “descontrolar-se” e a exigir o afastamento de dirigentes, e sabendo nós ainda que os jogadores do Sporting de Tomar tencionam homenagear o mesmo técnico com um almoço, é fácil concluir que alguma coisa fica por esclarecer?!

«Parece-nos, que mais uma vez estamos a ser enganados, ou pelo menos a não sermos devidamente informados! Não nos agradaria nada, que tal como já se diz, estes últimos acontecimentos sejam o pronúncio do fim do Sporting de Tomar…

Manuel Victor Leal – Um sócio»

NR.: – Conforme prometemos e porque estamos ao serviço dos nossos leitores, daremos mais pormenores sobre este assunto. O interesse em sermos correctos e esclarecer toda a verdade, nos obriga a colher vários depoimentos que oportunamente aqui serão focados. – N. F. C.

 

Segue-se outro pedido de esclarecimento ao comunicado do Sporting de Tomar, publicado no “Cidade de Tomar”, em 31 de Maio, cujo recorte de jornal me foi gentilmente enviado, a meu pedido, pelo Exmo. Sr. Manuel Cachado Rodrigues, ao qual deixo registado o meu agradecimento.

«Com este título publicamos no passado número uma carta do sr. M. V. Leal.

«Sobre o conteúdo da mesma, os jogadores de hóquei do Sporting, na sua totalidade, reuniram-se e a seu pedido, com a nossa presença resolveram esclarecer o seguinte:

«Foram sempre boas as relações com o seu ex-técnico Velasco. Estão absolutamente alheios e à margem dos problemas sucedidos. Nunca tiveram intenção de homenagear o seu ex-técnico.

«Existe sim e isso já estava há muito marcado, um compromisso de no final da época se reunirem para um almoço (ou jantar) de convívio a funcionar como reflexão da época e para cimentar a amizade entre todos.

«Com isto querem que fique bem esclarecido que entre eles (jogadores) não existe qualquer incompatibilidade com a secção e Direcção e são absolutamente alheios às posições tomadas em relação ao caso.

Nelson Costa e J. Bernardino»

Nota actual:Leio sempre este recorte com um misto de emoção e saudade, pois ele reflecte a qualidade humana destes grandes desportistas que, repito, foi meu privilégio liderar.

Apesar das ameaças veladas que provinham da árvore, todos Atletas e elementos do Grupo Técnico, reencontraram-se num restaurante Nabantino, para o celebrado convívio de fim de época. Ficaram de fora, pendurados nos galhos, possivelmente a olhar uns para os outros, meio atordoados, aqueles que destoariam neste ambiente de franca e sã camaradagem.

Posfácio

Jornal “Cidade de Tomar”, de 7 de Junho de 1985 – Velasco marca a sua posição.

Conforme informamos no último número, publicamos hoje as explicações dadas pelo ex-técnico do Sporting de Tomar, ao nosso colaborador João Bernardino, por carta:

«Sem pretender criar uma polémica, escrevo estas linhas com o intuito de esclarecer certos aspectos que possam criar nebulosidades à volta da questão originada pelo meu afastamento VOLUNTÁRIO do Sporting de Tomar.

É um facto que este clube necessitou duas vezes dos meus préstimos e é um facto que também avisei a todos que jamais permitiria interferências nos meu trabalho ou comando técnico da equipa, inclusive da parte de dirigentes.

Conforme cópia de carta junta, recebida dias antes de partirmos para a França, pode reconhecer-se que a questão a competência não está em causa.

(Eis o que diz a carta: Tomar, 16 de Abril de 1985.

«Exmo. Sr. Francisco Velasco

«Pela presente informamos V. Exª que em reunião da Direcção, foi acordado manifestar-lhe o n/ apreço e admiração pelo trabalho realizado na orientação da nossa equipa de hóquei sénior, e ao mesmo tempo solicitar-lhe que elabore uma proposta para a próxima época pois estamos interessados em que continue como treinador do nosso Clube.

«Agradecendo desde já uma sua resposta, reiteramos os nossos cumprimentos e enviamos as n/ cordiais Saudações Desportivas.

P’la Direcção do S. C. T. – O Secretário»

Resta o comportamento das pessoas ou dos grupos de pessoas que participam no fenómeno desportivo, que neste caso particular reduzirei a Tomar.

TOMAR – É linda essa cidade cortada pelo Rio Nabão! Sempre que os dirigentes insinuavam que eu devia ir viver para lá, no fundo, acarinhei essa hipótese se pudesse satisfazer certas condições.

AS PESSOAS – Como público, senti-me sempre acarinhado e apoiado, nos jogos bons e maus que cá foram realizados. Nunca me incomodaram, antes pelo contrário, tenho a certeza da existência dum respeito mútuo. Individualmente, nos contactos ligeiros, tidos aqui e ali, saí sempre gratificado pelas manifestações de simpatia.

Os Técnicos: Da esq.: - O enfº Ventura, a minha "personna non grata", o Prof. Marques e o Mecânico/roupeiro Fernando.

TÉCNICOS – Referindo-me ao preparador físico, massagista, mecânico, como sempre sucede comigo jamais divergimos em questões profissionais e tendo em conta as personalidades de cada um, estou seguro que existiram sempre as melhores relações, baseadas no respeito por cada uma das funções.

A EQUIPA – Tenho muito respeito pelos atletas que a constituíram. Responderam sempre, dentro dos parâmetros humanos e seus condicionalismos, às solicitações que deles exigi. Hoje tenho a prova palpável que eles me consideram e respeitam também. Foi um prazer liderá-los.

DIRIGENTES – Na globalidade, estavam sempre presentes, revezando-se nas “horas de serviço”, fazendo sacrifícios de toda a ordem, transportando-nos à noite, esperando ou indo buscar os atletas. Eram um mundo de boas vontades, emocional, desorganizado, amigos de infância ou de sítio, umas vezes quase jogando à bofetada em público, outras gritando uns com os outros e acabando por fazer as pazes. Enfim, uma multidão de dirigentes, positivos por um lado pois acredito que o clube consegue andar através das suas acções, das quotas especiais, angariações, colheita de publicidade, para não falar da campanha «eufórica» do Bingo, etc. Não me recordo que o meu relacionamento com eles tenha sido pautado por trato menos respeitoso.

Mas o que é que correu mal, então? – Perguntar-se-á.

É simples, no meio desta Babel desordenada de boas vontades, existem aqueles que não permitem um mínimo de organização, pois eles só sabem viver (ou sobreviver…) no caos, onde se esgueiram astutamente. Parecem uma coisa mas quando racha o verniz, revelam a verdadeira extensão dos seus carácteres. Este tipo de dirigente, não possui a linguagem dos homens de desporto e, invariavelmente, interferem nas áreas dos outros, desestabilizando-os nos seus misteres.

Infelizmente, neste caso, são os responsáveis pelo pelouro da modalidade mais importante do clube, que custa uns largos milhares de contos por ano. São os que mudam todos os anos de atletas, todos meses de treinador (quase)! São os que mantêm o departamento desorganizado, sem ficheiros de atletas, sem apoio médico adequado. São os que transformam digressões desportivas, em excursões turísticas. São os que afirmam que os atletas são EMPREGADOS, tal como “robots” que se ligam à corrente eléctrica, esperando que satisfaçam as suas expectativas. São os que desconhecem totalmente o fenómeno desportivo! São os que se atrevem criticar nas costas do técnico (cuja acção não podem criticar), misturando-se à volta da vedação, absolutamente apopléticos quando a equipa não ganha! São os medíocres do desporto!

São eles o Director do Departamento de Hóquei em Patins, o Vice-Presidente das Actividades Desportivas, o Tesoureiro. São estes os elementos desestabilizadores, que me levaram a pedir uma reunião DURANTE e não após o torneio em França.

Aí, frontalmente, dada a sua incompetência, incapacidade e desorganização (desportivas claro), propus-lhes que considerassem a hipótese de se afastarem e darem lugar a outros com quem eu pudesse trabalhar tranquilamente e que me informassem da decisão. Até hoje essa decisão não me foi comunicada formalmente. Talvez que aqueles que “entendem” que os atletas e treinadores devam ser EMPREGADOS não estejam habituados a serem “despedidos”. Talvez porque isto possa ser considerado uma blasfémia, mas o problema é que quando eu assumo treinar uma equipa e os interesses do clube que ela representa, faço-o até às conclusões lógicas, aliás, pagam-me para isso.

Os acontecimentos posteriores, no autocarro, quando regressamos, e à chegada, são de importância secundária para mim. Foram produto da “grande confusão” habilmente gerada, onde pretendem “embrulhar” o Presidente da Direcção no mesmo pacote. Quando este ano iniciei as minhas funções no Tomar, esses “malandros” do desporto vinham sussurrar ao meu ouvido que o Presidente qualquer dia caía da cadeira, tinha “palheta” de advogado e “pedalada” demais para eles.

Em abono da verdade e por respeito que o Presidente do Tomar me merece, quero afirmar que a sua luta nada tem a ver com a minha e elas só poderão ter sido coincidentes, por acaso e por ironia do destino, ou por hábil manipulação deste.

Se as partes aqui visadas, desejassem que eu especificasse as acções que constituíram as suas deficiências de dirigência desportiva, fá-lo-ia na arena que escolhessem e eles não resistiriam à evidência dos factos.

Acho que devo ficar por aqui. Um abraço e até um dia. F. Velasco

Em tempo: – Não falei na IMPRENSA ou RÁDIO de Tomar! Pois se tivesse algo contra elas não teria escrito estas linhas. Só espero que pugnem sempre pela verdade e isenção dos acontecimentos pois existe muito boa gente nessa cidade e penso que elas merecem-no.»

Na mesma página do jornal acima mencionado, onde marcava a minha posição, veio também publicado o seguinte texto, assinado por Miguel Tavares:

«PARA QUANDO O TOTAL ESCLARECIMENTO?

 «Algo de muito grave se está a passar no Sporting Clube de Tomar, pois, logo após o comunicado daquele Clube informando que o Presidente da Direcção foi demitido e se evoca o conhecimento do facto pelo Presidente da Mesa da Assembleia, da situação existente, este devia ter convocado de imediato nova Assembleia Geral para eleição de novos Corpos Gerentes. Que saibamos sempre que o Presidente de qualquer Direcção se demite ou é demitido é esse o procedimento correcto.

«Já vai decorrido mais de um mês sobre o regresso da digressão e nada se sabe oficialmente (embora particularmente haja conhecimento de vários factos desagradáveis ocorridos entre dirigentes e o corpo técnico do hóquei durante a digressão a França) acerca dos acontecimentos daquela digressão, que originaram o afastamento do treinador e do Presidente da Direcção.

«Sabemos por conhecimento directo, que certo elemento dos corpos gerentes, tudo tem procurado fazer para que não venha a público a divulgação dos factos ocorridos, interferindo até junto de determinados elementos ligados à imprensa, para que não sejam publicadas ou pelo menos retardadas tanto quanto possível quaisquer críticas ou cartas versando o assunto.

«Por tudo isto, acreditamos, cada vez mais, que o ocorrido em França foi muito mais grave que o oficialmente divulgado pelo confundedor comunicado emitido pelos sobreviventes da Direcção do S. C T., cada vez mais apegados aos lugares ocupados. Mais estranhamos ainda a ausência de qualquer informação pública por parte do Presidente do Clube agora demitido tanto mais que é a principal vítima, depois do Clube, de todo este complou.

«Quanto a nós a carta enviada pelo ex-treinador levanta apenas uma ponta do véu do complou existente no seio do resto da Direcção do S. C. T. e quere-nos parecer que tem que haver urgentemente uma Assembleia Geral do Clube, para que os sócios, que são o real sustentáculo do hóquei nesta cidade, sejam devidamente esclarecidos sobre tudo, mas tudo (custe o que custar e doa a quem doer), quanto se passou na digressão por terras de França, sob pena de aumentar o descrédito em todos aqueles que ainda englobam os corpos directivos do Clube.

«Ficamos aguardando a convocação da Assembleia Geral e um comunicado claro, preciso e inequívoco dos elementos ainda em exercício»

ÁMEN…!

 

 

 

 

 

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