1982 – Angola – Luanda – Huambo – 1

DIÁRIO – ANTES DA MINHA CHEGADA

Poster alusivo ao Mundial de 1982

5 de Fevereiro – Publicada a entrevista dada a Pires Ferreira, por Bastos de Abreu, Seleccionador Nacional, no Jornal de Angola, titulada «Operação Portugal 82», da qual se transcreve partes, sendo os meus comentários em itálico negrito:

«ANGOLA VAI AO “MUNDIAL” DE HÓQUEI  EM PATINS CONQUISTAR UM LUGAR QUE DÊ ACESSO À SÉRIE A.

Em caixa: «FALOU BASTOS DE ABREU QUE DISSE MAIS O SEGUINTE: – A SELECÇÃO ESTAGIARÁ MAIS UM MÊS EM PORTUGAL… AINDA HÁ JOGADORES QUE PODEM SER CONVOCADOS… TEMOS “MATÉRIA-PRIMA” É NECESSÁRIO TRABALHÁ-LA.»

«… qual o programa de preparação com vista a “operação Portugal 82”?

– «Temos um plano de trabalho elaborado por nós que não é ainda do conhecimento do técnico português que nos vem ajudar. A realização do mesmo dependerá da sua concordância ou não.»

« A  chegada desse técnico está muito atrasada…

– «A chegada de Velasco não depende de nós. Depende da Secretaria de Estado de Educação Física e Desportos e da elaboração do contrato que será celebrado em Lisboa…»

«E voltando para o plano de trabalho:

– Descreve-se o plano de trabalhos, saída para o Huambo, ida para Portugal, etc., que cai por terra uma vez que fica ultrapassado com a minha chegada. O meu plano de preparação da Selecção, já o trazia esquematizado de Lisboa, prevendo a participação no torneio de Montreux, pois estava seguro que os responsáveis acabariam por se sensibilizar pelos fortes argumentos que pretendia expressar na primeira entrevista que desse em Luanda, o que de facto sucedeu.

«Os jogadores convocados permitem fazer um conjunto coeso?

– «Os jogadores convocados podem, de facto, constituir uma boa equipa. No entanto, nem todos estão imbuídos daquele espírito que deve existir para um trabalho deste género que por vezes não é compreendido inclusivamente até pelos órgãos de informação. A minha opinião é que em qualquer desporto colectivo é mais útil à equipa um jogador menos tecnicista mas animado de boa vontade, espírito de sacrifício e entre ajuda, que um outro mais evoluído tecnicamente mas convencido que é craque e indispensável. O que interessa é o espírito de equipa, de facto.»

«Magalhães apesar de ter estado parado pensamos que é sempre um jogador que faz falta mas ele não foi convocado. Haverá alguma razão especial?

– «A experiência de facto recomenda, mas não é só. Nós temos de aliar os seguintes factores: é uma prova dura… (etc)… Contudo, ainda há possibilidades de Magalhães ser convocado. Qualquer jogador ainda pode ser convocado.»

«E relativamente a equipamentos e apoio, como vai a selecção?

– «Foi feita uma proposta à SEEFD para aquisição de equipamentos. Isto depende da SEEFD… Quanto ao apoio ele não tem sido o melhor. Nós temos de estar sempre a contactar a SEEFD por causa dos transportes. Mesmo assim falha. Há dias em que nem todos os atletas participam nos treinos porque o transporte falhou. Nós depois dos treinos estamos autorizados a levar os atletas à Casa do Desportista para fazer uma refeição mas que não é a ideal…»

7 de Fevereiro – Publicada a entrevista dada a Pires Ferreira, por Augusto Magalhães, guarda-redes, no Jornal de Angola, da qual se transcreve partes que provocou grande celeuma nos círculos desportivos.

Extracto do JA, de 7 de Fevereiro

«Quem interrogou assim foi Augusto Magalhães, a ausência mais notória e comentada da pré-selecção. Um jogador, quanto a nós, que ainda faz falta à selecção dado a sua experiência mas que agora “está por fora” por… ter parado um ano. Magalhães praticamente não precisa de apresentações mas há necessidade de se dizer o seguinte: foi o primeiro campeão nacional, em 1979 a defender a baliza do Petro-Atlético de Luanda, venceu a primeira Taça de Angola na baliza dos Leões…. Magalhães disse-nos o seguinte:

– «Acho-me com 27 anos, um jogador no expoente máximo da minha carreira desportiva de entre os guarda-redes/…, peso 80 quilogramas, tenho altura e experiência.

«Mais concretamente sobre as convocatórias:

– «Julgo que os critérios de convocação foram errados… Eu ao não ser convocado fui “queimado” pelo seleccionador.

«Magalhães prossegue o seu depoimento:

Extracto do JA, de 7 de Fevereiro

O nosso interlocutor explicou os motivos que originaram a sua paralisação e voltou a “atacar” os critérios da equipa técnica.

– «Não sou vaidoso, sei o lugar que devo ocupar, sei também que existem bons valores nas equipas. Mas são jovens com um largo futuro a sua frente a carecer de muita experiência./… Eu considero o Bastos de Abreu, um seleccionador ultrapassado porque o “Mundial” é uma prova muito dura onde se vai defrontar selecções muito fortes, com “stikadas” a primeira e, portanto, deve-se ter em mente preparar o jogador com peso e força. Será que eu com 27 anos estou “queimado” para a modalidade. O Ramalhete, guarda-redes da selecção portuguesa tem 40 anos e foi convocado/…

«Tu achas que há outros jogadores aqui em Luanda que deveriam ser convocados?

– «Acho que como eu, deveriam ser convocados/… O caso de Mário Teles que considero o melhor centro campista de Angola. Porém, ele já no Petro era “queimado” e nunca pode demonstrar a sua real capacidade porque o Fragata, um valor que não deixo de ter em consideração, não se coaduna a jogar como o Mário Teles.

«Mas achas que ainda há possibilidades de seres convocado?

– «… Se comissão técnica e o Velasco derem essa oportunidade eu estou convocado. Mas como poderei ir para a selecção se não fui convocado para a pré-selecção.»

DIÁRIO – DURANTE A MINHA ESTADIA EM ANGOLA

23 de Fevereiro, 3ª feira – Chego de manhã cedo a Luanda e sou acomodado no Hotel Panorama.

– Às 15h00 sou recebido na Secretaria de Estado e Educação Física, por Sardinha de Castro, Director Nacional, na companhia dos dirigentes locais, tendo reunido depois com estes membros da Federação Angolana de Patinagem.

– Às 20h00, na companhia de Bastos de Abreu e Rui Teixeira, vice- presidente da FAP, dou uma entrevista a Pires Ferreira e Pedro Juvelino, este fotógrafo, para o Jornal de Angola. Em paralelo pedi e obtive as entrevistas previamente dadas por diversos protagonistas que, de modo mediático, tinham um criado um ambiente negativo que se arrastava desde princípios de Fevereiro.

24 de Fevereiro – Parto e chego a Huambo num Tupolev, sendo instalado no melhor Hotel local. Durante a noite, pus-me ao par da controvérsia gerada anteriormente e, em especial, sabendo já da nossa participação em Montreux, (a inscrição de Angola no torneio estava a ser encaminhada para o Comité Internacional de Rink Hockey e cujo trâmite levaria uns dias a confirmar), elaborei em duas folhas de papel quadriculado todo o Plano de Preparação que esquematizara em Lisboa e que visualizava como ideal. A sua execução representaria para mim o ponto alto da minha capacidade como treinador, neste caso, a preparação duma Selecção Nacional, quando a minha liderança e responsabilidade seria testada em todas as frentes possíveis e a todos os níveis.

O casal Elena e Arnaldo Alarcón

Este Plano requeria um trabalho em conjunto com o preparador físico Arnaldo Alarcón, cuja colaboração metódica e diária, (a meu lado durante 50 dias!), até aos primeiros dias em Carcavelos, foi de uma seriedade, entrega e competência a toda a prova. Reuni com ele logo que cheguei a Huambo e definimos em pormenor todos os detalhes da preparação. Posteriormente, a sua esposa Elena, recordista de natação na União Soviética, também ela preparadora física, deu uma achega durante os treinos, fazendo registos gráficos dos exercícios levados a cabo nos treinos e registando os tempos dos mesmos, de modo a podermos controlar as cargas. Mais, por sugestão minha, exercitava os músculos oculares dos guarda-redes, visando criar-lhes uma mais rápida mobilidade.

O Plano foi rigorosamente cumprido, desde 25 de Fevereiro até ao dia 14 de Abril, um dia antes da Selecção se alojar num Hotel de 4 Estrelas em Carcavelos, depois do torneio em Montreux. O que nunca me passou pela cabeça foi que no seio da Selecção estivesse instalado um grupo composto de um par de atletas, incluindo dirigentes da Federação Angolana, apostado em destruir todo o trabalho até aí executado. A estratégia deles foi simples, acabar com os horários de trabalho programados para o dia seguinte, afixados na noite anterior, no átrio do hotel, a fim de se libertarem da disciplina requerida para esta tão importante fase e poderem levar a cabo as suas agendas pessoais.

Tudo isso ficará patente no decorrer deste relato, e constitui um exemplo típico que permitirá aos treinadores e seleccionadores reflectir sobre estes “cancros” que minam o desporto, minaram sempre e para o qual não há cura que se veja.

DIÁRIO, 24 de Fevereiro – Prosseguindo:

A viagem para o Huambo foi uma experiência inédita. Entrámos no Tupolev pela cloaca, subindo a rampa caída e instalá-mo-nos nos bancos corridos nas laterais, junto da fuselagem, como autênticos para-quedistas, a mirar a enorme carga colocada na longitudinal da nave. Quando descolámos, o avião subiu a pique como se estivesse a querer escapar de alguma “fisgada” atirada lá de baixo. Em menos de minutos, a temperatura baixou e tiritávamos de frio. O resultado foi que desembarquei e tinha perdido a voz. Não sei se foi por ter falado demasiado no dia anterior, se foi por nervosismo ou por ter gelado durante a viagem. Aos jornalistas e homens da rádio que aguardavam na pista, só pude sussurrar que não conseguia expressar-me, prometendo ir à Rádio Huambo assim que recuperasse.

Isso sucedeu, tendo-se criado um forte empatia entre nós, com o meu convite de aparecerem sempre que quisessem, para acompanhar os treinos e inclusivamente assistirem às prelecções.

Depois do treino, a ler a entrevista

Mais tarde, esses amigos da Rádio, cujos nomes estão numa cassete, algures numa das minhas gavetas, foram uma fonte de informações do que se passava por esse mundo fora, com particular relevo para gravação que fizeram duma rádio desconhecida em que literalmente davam a conhecer que “Velasco estava a treinar a Selecção de Angola e que um dia ainda apareceria a liderar a selecção da União Soviética”. Os alarmes soaram imediatamente e visitei o Comissário local. Transmiti-lhe as minhas preocupações, recordando a tragédia mediática dos jogos Olímpicos em Munique. Descansou-me, afirmando que trataria do assunto com o cuidado que merecia. Apesar disso e dum modo discreto, passei a verificar o terreno à volta do autocarro onde quer que estacionasse.  Mais, só dentro do carro é que decidia qual o rinque onde iríamos treinar, até para evitar a presença de mirones.

Falando para a Rádio Huambo

25 de Fevereiro – Primeira reunião formal com todos os elementos presentes e 1º treino à tarde às 16h00, no Pavilhão local. Falo para a Rádio local, recebo e leio a entrevista dada ao Jornal de Angola de 23 e publicada no dia 25 de Fevereiro, da qual transcrevo as partes mais relevantes.

«Francisco Velasco, o homem mais esperado este ano, nos meios desportivos nacionais, chegou a Luanda ao princípio da manhã quente de terça-feira acabando definitivamente com o impasse que reinava relativo ao técnico para a Selecção Nacional de hóquei em Patins.»…

Apesar de uma noite em claro, bastante cansado pela viagem e a pensar que no dia seguinte seguiria para Huambo, pus-me à disposição do entrevistador, durante umas horas, a fim de responder às suas questões.

Entrevista a Pires Ferreira e foto de Pedro Juvelino

– Dado a sua chegada tardia podemos pensar que à partida o plano de trabalhos que inicialmente havia preparado vai sofrer alterações…

«O plano de trabalhos vai sofrer as alterações que forem necessárias dentro das circunstâncias e logo que os responsáveis pela preparação da selecção se juntem para analisar o problema»

– Quais os objectivos que pretende alcançar com esta equipa cujos jogadores ainda desconhece?

«Quanto aos objectivos eu queria deixar claro que costumo fazer uma comparação relacionando a imagem de um técnico à de um professor. Este encontra os alunos no quinto ano do liceu e a tarefa dele é levá-los para o sexto. Se o professor possuir de facto uma metodologia eficiente e os alunos se dedicarem a fazer esforços, a gente sabe que por vezes, eles até conseguem fazer um ciclo num ano.»

«Agora vamos é deixar de ilusões porque ser-lhes-á totalmente impossível passarem do quinto para a universidade.»…

«A Taça das Nações de Hóquei em Patins que se disputa tradicionalmente na cidade suíça de Montreux servirá este ano de um teste importante para as equipas que disputarão o Campeonato do Mundo pois disputa-se de 4 a 12 de Abril (data provável), ou seja menos de um mês antes do “Mundial”.»

«Trata-se efectivamente, de uma competição onde as selecções nacionais terão a grande oportunidade de limarem arestas para que, no “Mundial”, possam apresentar um conjunto coeso e bem estruturado que permita desenvolver os jogos sem muitos erros técnicos e tácticos geralmente fruto da pouca experiência.»

Francisco Velasco, admitindo a hipótese da nossa presença em Montreux que é, aliás, o seu desejo, revelou ao jornalista:

«Ainda possuímos mais de 60 dias para uma preparação que no início procurará ser em volume e que a meio terá de ser de alta intensidade.»

Uma alerta sensato

«Eu sugeri, à minha chegada, que dentro do programa preparatório da equipa fosse considerada a participação da selecção de Angola na Taça das Nações em Montreux (Suiça) que representaria não só o ponto máximo de intensidade antes do “Mundial” como também introduziria um elemento de adaptação somente vantajoso para a Selecção de Angola. O problema agora resume-se no seguinte: uma vez que está programado deslocarmo-nos à Europa para complemento da preparação, seria mais vantajoso irmos primeiro à Suiça e depois a Portugal. Seria, penso, encargo mínimo com vantagens tremendas, absolutamente necessárias, de ambientação a jogos da natureza das competições internacionais.»

«Eu não tenho dúvidas que se formos directamente a Barcelos, o efeito será um. Se participarmos na Taça das Nações, o efeito será outro e não é difícil, a todos nós, compreendermos a razão disso.»

Continuando… do Diário.

A primeira reunião foi espaçada durante o dia, de manhã, até ao almoço no Centro Desportivo, quando detectei o estado deplorável das acomodações e as fracas refeições que foram servidas, combinando com Bastos de Abreu uma visita urgente ao Comissário local, de que tenho pena de não recordar o nome, a quem expus a seriedade do problema da alimentação. Sensibilizado pela situação, prometeu resolvê-la e cumpriu, praticamente de um dia para o outro. Aliviados, seguimos para o rinque ao ar livre, situado num parque vizinho. Com uma breve prelecção, efectuei o primeiro treino da selecção, que teve início às 16h00 e terminou às 18h00.

Prelecção no treino

Esta sessão permitiu-me aquilatar do estado físico dos jogadores e registar o nível extremamente baixo que demonstravam, com excepção de dois, de mais idade e, consequentemente, mais experientes. Pressenti imediatamente um longo e árduo trabalho para elevar as capacidades de todos a um ponto que evitasse que esta Selecção se transformasse num novo Japão, há 50 anos o “bombo-da-festa” nestas competições.

Huambo era uma cidade sossegada à luz do dia em contraste com as noites, quando adormecia em profunda escuridão e as fachadas dos prédios e hotel onde estava alojado, eram então varridas aqui e ali por potentes holofotes, a lembrar estado de vigilância necessário durante a noite. Acompanhando à porta as pessoas com quem tinha convivido durante o jantar, médicos, homens de negócio e entidades do partido, e ouvindo as suas histórias, fiquei consciente do facto de estar nesse momento a viver num país dilacerado por uma guerra impiedosa.

Nas primeiras reuniões, fui claro em esclarecer que a preparação da Selecção tinha começado com a minha presença no Huambo e que as fases mencionadas na imprensa já não faziam sentido. Acrescentei que todas as decisões futuras partiriam do consenso dos elementos responsáveis. Para o efeito, desbobinei um organigrama que foi aprovado e aplicado de imediato e que mais tarde transformei no Regulamento da Selecção Nacional:

Colectivo da Selecção Nacional

Director Desportivo – Bastos de Abreu

Grupo Técnico – Seleccionador Nacional: Francisco Velasco; Preparador Físico: Arnaldo Alarcón Gamonal; treinador adjunto: João Cruz, Médico (inexistente no Huambo) e o Massagista Paixão dos Santos.

Grupo Atletas – O plantel, representado pelo seu capitão, assistido por outro jogador, constituído pelos guarda-redes António Santos, Evaristo Neto e Francisco Domingos; e pelos jogadores de pista, Cândido Teles (cap.), Carlos Fragata, Humberto Domingos, Sousa (Pedro Zacarias?), José Araújo, Damásio Jr., Armando Viegas, Alcindo Santana e Luís Julião. Fizeram também parte do plantel, temporariamente, o guarda-redes Augusto Magalhães e os jogadores de pista Mário Teles e Jony Almeida, posteriormente dispensados, este último por razões disciplinares e os dois primeiros por desistência.

Grupo Auxiliar – Mecânico/roupeiro: Domingos Marinho.

Na primeira reunião do Colectivo, apresentei e justifiquei o Plano de Trabalhos, definindo as funções e responsabilidades de cada grupo e de cada um dentro do grupo. A novidade introduzida em todas as reuniões do Colectivo, encabeçadas pelo Director Desportivo, foi a presença e participação do Capitão da equipa em representação do plantel e do seu assistente, encarregado de tomar notas e elaborar as actas das mesmas.

Ficaram definidas 4 fases:

Fase I de 25 de Fevereiro a 31 de Março, 35 dias de preparação no Huambo, de 1 a 4 de Abril, 4 dias em Luanda com 2 jogos de despedida do público;

Fase II, dia 5 partida para Lisboa, dia 6 descanso nesta cidade, dia 7 voo para a Suiça e, finalmente, dias 8 a 12 de Abril, 5 dias do Torneio de Montreux, o ansiado teste competitivo, quando os atletas, especialmente estes que nunca tinham pisado as arenas internacionais, acabam por se revelar, face às “verdadeiras guerras” que se travam nesses recintos, contra adversários poderosos e outros experientes nestas lides. À parte os objectivos que tinha em mente, curiosamente atingidos, a classificação no Torneio já era por mim esperada. O meu intuito era descortinar as combinações de 5 jogadores que mais se adequassem às características das diversas selecções presentes no Mundial, que teriam de enfrentar.

Fase III, de 15 a 29 de Abril, 15 dias em Carcavelos, continuação da preparação,  tendo em conta os ajustamentos a fazer relacionados com as minhas observações do rendimento dos atletas e da equipa;

Fase IV início do Mundial de 1 a 3 de Abril, 3 dias de jogos em Lisboa e de 4 a 15 de Maio, 12 dias seguidos e 11 jogos realizados por Angola que descansou no dia 4, primeiro dia da competição.

A Fase I da preparação visava:

– Estabelecer as bases físicas gerais do rendimento dos atletas cujas componentes seriam Força, Endurance, Resistência e Coordenação, tendo como objectivo dominante, a Resistência. Grande volume de trabalho e pequena intensidade, essencialmente trabalho aeróbico, em paralelo com musculação.

–  melhorar e aumentar as bases específicas dos atletas cujas componentes seriam a Resistência, Potência Muscular, Impulsão, Velocidade, Habilidade e Reacção, tendo como objectivo dominante, a Velocidade. Trabalho de intensidade máxima, do tipo anaeróbico.

A partir do dia 19 de Março, pico do volume de trabalho, Arnaldo Alarcón, criou um ciclo semanal de preparação física: Feira, Força muscular, braços pernas e abdominais; Feira: Força velocidade; Feira: Velocidade integral; Feira: Resistência de força; Feira: Resistência de velocidade; Sábado: Resistência de força e velocidade; Domingo: Preparação física geral.

Os treinos com patins, setique e bola, aligeirados na sessão da manhã, 10h00 às 12h00, intensificavam-se à tarde, 16h00 às 18h00, em busca de um óptimo de rendimento, melhorando e aperfeiçoando as capacidades técnicas e tácticas  individuais, agora inseridas num sistema colectivo, de defesa-ataque, semelhantes às situações repetitivas verificadas nos jogos.

Como a questão das cargas era importante, todos os exercícios na pista foram minuciosamente esquematizados em papel e os tempos registados a cronómetro. Tanto eu como Arnaldo Alarcón, actuando em perfeita sintonia, podemos ficar de consciência tranquila e, porque não registá-lo, extremamente orgulhosos do trabalho que realizámos. Se não fosse esta preparação séria e profissional levada a cabo no Huambo, estou absolutamente seguro que Angola não se classificaria para o grupo “A” e iria juntar-se aos crónicos “bombos-da-festa“.

– Segue-se parte 2

 

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2 Responses to 1982 – Angola – Luanda – Huambo – 1

  1. saul says:

    saludos a mi amigo arnaldo y a su esposa,no nos vemos desde 1971 cuando estudiabamos en la universidad san luis gonzaga de ica.señor francisco velasco mis saludos si pudiera cantactarme con mi amigo le agradeceria.

  2. Velasco says:

    Estimado Saul
    Desde 1984 que terminó mi contacto con Arnaldo Alarcón y su esposa Elena. Esperaba un comentario de ellos en mi sitio Web, si le das con ella, dondequiera que estén.
    Saludos

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