1982 – Angola – Montreux – Carcavelos – 3

A propósito de agendas pessoais e esticões

As primeiras, por serem pessoais, permanecem escondidas no cérebro de cada um e são naturalmente inescrutáveis a não ser que várias pessoas se conluiam para atingirem outros objectivos, que não os inicialmente propostos. Obviamente, os contornos das agendas só se identificam ao longo do tempo, à luz de posteriores notícias e informações e revisitando a cronologia dos acontecimentos.

Os esticões, pelo contrário, sentem-se logo e tem de ser enfrentados imediatamente, consoante a sua gravidade, de forma decisiva e responsável. O caso de Carlos Fragata, um dos jogadores mais capazes e mais importante para as formações que tinha em mente, foi um exemplo em que uma certa flexibilidade produziu algum efeito. Proibido de entrar no Centro dos Desportistas, veio várias vezes rodear o edifício, como uma alma penada e à noite tornou-se patético vê-lo através das vidraças. Na altura, não sabia bem como reagir a essa situação.

Porém, na penúltima noite, todo o plantel aproximou-se de mim, pedindo-me que o readmitisse. O jogador Armando Viegas, em nome de todos, chorava e implorava pelo seu companheiro (agenda a funcionar) bem como os demais, numa cena pungente. Afastei-me, a pensar que esta reacção de solidariedade não deixava de ser positiva e tomei a decisão de o readmitir, a única que teve lugar sem consultar o Colectivo, dada a urgência e circunstâncias de momento. Fui lá fora falar com o atleta em causa, fiz-lhe um aviso sério que deve ter perdurado nas suas orelhas pois, a partir dessa altura o seu comportamento pareceu-me normal.

Mal sabia eu, (quem mais poderia imaginar?), que tinha acabado de acolher no seio da Selecção, o indivíduo que tudo fez para se livrar de mim e destruir tanto sacrifício, esforço e trabalho envidado por todo o grupo, durante 35 dias seguidos. Tudo para se libertar dos constrangimentos que o Plano de trabalhos desta fase lhe provocava, de modo a poder levar a cabo a sua agenda pessoal. Conseguiu-o, de uma forma dissimulada, que bem atesta o seu carácter, auxiliado pelos que se abandalharam com ele, os quais, 2 e 3 anos depois acabariam por pagar pesada factura. Tive pena de não ter terminado o que iniciara.

Continuando, se os esticões em África por lá ficaram, os esticões na Europa fazem-se sentir uns atrás dos outros, pois as agendas do bando a isso obrigavam, deduzo eu. O primeiro, em 13 de Abril em Montreux, o segundo em 14 de Abril, no voo para Lisboa, o terceiro em 15 de Abril em Carcavelos que a seguir descrevo:

Esticão em 13 de Abril – O Dirigente – Um vez terminada a Taça das Nações, dia 12 de Abril, foi dada completa liberdade a todos os elementos da Selecção, não havendo determinações quanto às horas de regresso e que aproveitaram pela noite fora. Quando no dia seguinte, o programa de actividades usual foi afixado no hall de entrada, o Director Técnico veio ter comigo dizendo que os atletas queriam mais uma noite de folga. Recusei liminarmente, reunindo de imediato com o Grupo Técnico que, como é óbvio, concordaram com a decisão. Posteriormente, foi solicitada uma reunião inspirada pelo Vice-Presidente da Federação Angolana de Patinagem, Joaquim Manuel de Sousa Reis, com a presença do elemento do MPLA do Partido do Trabalho, sr. Costa, e outros, que até fotógrafo meteu, felizmente.

Esticão em Montreux

Este dirigente, num apoio inesperado aos jogadores, insistiu por mais uma noite de vadiagem. Expliquei-lhe as razões desportivas que desaconselhavam tal folga e que já tinham sido suportadas pelos demais responsáveis técnicos. Não desanimou, e apesar de lhe ter lembrado que partíamos no dia seguinte, persistiu durante 2 horas, como uma carraça sedenta de sangue, sem nunca desfazer a pose contida e engravatada com que sempre nos brindou.

Na foto acima que deve ter sido encomendada, aparenta estar ler o Regulamento da Selecção Nacional, que eu produzi, em busca de algum buraco que suportasse o seu ponto de vista. Chegou a sugerir que eles, os Vice-Presidentes, fora dos jogos e dos treinos, eram os responsáveis pelo plantel. Claro que com duas horas desgastantes de argumentação, sentindo grande desconforto pela intervenção deste Vice-qualquer, acabei por ter de esclarecer a minha posição. – Que o governo de Angola, numa medida de se louvar, procurando projectar o seu desporto a nível internacional, pagava-me em divisas sacrificadas a um povo martirizado por anos de guerra, para levar a sua Selecção ao Campeonato do Mundo de Barcelos e não para vir passear à Suiça que, como ele devia saber, não passava de uma mera fase da preparação planeada. Ponto final e recolheram à hora prescrita.

Passeando pelas ruas da cidade, na companhia do Dr. Fernando Borges e do plantel

Sobre o Torneio de Montreux, a transcrição de carta manuscrita por mim, endereçada ao Exmo. Secretário de Desportos, Dr. Rui Mingas, em 17 de Maio, por si própria esclarecedora dos eventos, será descrita mais adiante para memória futura. Todavia, desejo relatar um episódio: – Por falta de espaço no estreito pavilhão de Montreux, os treinadores são obrigados a encostarem-se na portinhola de entrada, ombro a ombro, e dali governarem as respectivas naus. Sucede que durante a partida contra Portugal, os comentários do saudoso companheiro e amigo Livramento, a propósito de tudo e de qualquer coisa, não podem ser ouvidos sem provocar risos. A sua inesquecível voz alta e espontâneo sentido de humor, eram de provocar gargalhadas a um morto e talvez eu tenha soltado algumas. Este episódio tem a ver com acontecimento futuro que relatarei e do qual nem o diabo se lembraria.

Esticão em 14 de Abril – O Carteirista – No decorrer da viagem para Lisboa, um dos Vices-quaiquer, perguntou-me se não me importava de pernoitar no meu apartamento em Paço de Arcos, a fim de se minimizarem os custos do Hotel. Como me recordava que maleta deles, cheia de dólares, que pretendiam trazer para a digressão, tinha passado a ser propriedade minha, calculei que estivessem em apuros e acedi. Era-me indiferente onde dormir, na condição de providenciarem transportes pontuais às horas programadas.

Este foi um esticão de mestre. Sem dar por nada levaram-me a “carteira”, numa manobra de profissionais experientes, daqueles cujas façanhas são por demais conhecidas de todos os portugueses, vítimas da aglomeração de pessoas, nos autocarros e comboios ou dum encontrão em plena rua. Digo de mestre pois esta manobra foi feita de olhos nos olhos, comigo ingenuamente a colaborar com as agendas pessoais que visavam o meu afastamento. Desembarcámos e fomos para o Hotel em Carcavelos, tendo ido almoçar a uma tasca, numa caminhada a pé de um quilómetro e tal. Após o repasto, o Grupo Técnico elaborou o programa para dia seguinte prontamente afixado no local mais adequado e transportaram-me para Paço de Arcos, numa carrinha Volkswagen. E logo no dia seguinte…

Esticão em 15 de Abril – A anarquia – Logo pela manhã, telefona-me o preparador físico, Arnaldo Alarcón, a informar-me que os atletas não se tinham apresentado na sessão matinal, das 7.00h às 8.00h, uma rotina que nunca falhara até ao final do torneio de Montreux. Meti-me num táxi e fui ter ao Hotel.

O preparador-físico Arnaldo Alarcón e esposa Elena, em Montreux

Conversei com o Preparador Físico, abordei o responsável de serviço, nesse dia Domingos Marinho que me informou que tinha ido a todos os quartos acordá-los mas que, quando voltava ao primeiro, o ocupante voltara a dormir. Lembro de lhe ter dito que uma solução era encher uma jarra de água e atirar-lhes para cima. Quando entrei no Hotel, deparei com um espectáculo imprevisto. A maior parte dos atletas, com os célebres “walkmans” da moda que tinham comprado, os tais leitores de áudio, deambulavam pelos espaços, como autênticos “zombies” ante a passividade de todos os dirigentes. Solicitei de imediato uma reunião do Colectivo, pedi ao Director Técnico Bastos de Abreu que recolhesse todos os aparelhos auditivos, o que foi feito de imediato, explicando que isolando-se daquele modo, os atletas assumiam uma atitude anti-social e que nestas concentrações era fundamental que se verificasse uma confraternização generalizada, nichos de conversas, anedotas, jogos e brincadeiras de modo a se aprofundar a coesão do grupo. Tudo isto deve estar exarado em actas, se é que as produziram.

Esta reunião aqueceu quando questionei a razão da escolha de um Hotel de 4 estrelas com colchões e almofadas de sumaúma quando em Huambo tinham dormido sobre tábuas, como valentes espartanos, e iam almoçar a uma tasca distante um quilómetro com as implicações negativas nos horários pré-programados. Questionei porque razão não se procurava uma residencial muito mais em conta, com cama, mesa e roupa lavada, existentes à fartura pelas imediações. Resposta: – Já tinham pago o Hotel… adiantado! Como nessa reunião vários assuntos tiveram de ser abordados, questionei porque é que tínhamos um Volkswagen para transportes ao invés do autocarro que o Vice-qualquer coisa tinha garantido estar à nossa disposição, logo que chegássemos, como ficara exarado em acta de uma reunião no Huambo. – Resposta: A empresa falhara! Quando questionei se já tinham tratado das acomodações em Barcelos e me informaram que estava garantido um, a trinta, quarenta quilómetros do Pavilhão, perguntei se tinham sopesado as consequências de tão má escolha. Quanto sugeri que nos alojássemos no Hotel Ofir, posto à disposição de todas as selecções, com transportes, de e para o Pavilhão, a preços relativamente acessíveis. – Resposta: já tinham pago adiantado!

O caldo entornou nesta altura. Acho que me lembrei de Giovanni Guareschi, que li quando era moço, autor do “Pequeno Mundo de D.Camilo”, e daquela voz que soava aos ouvidos deste, vinda de cima, e que agora se repercutia nos meus: – (“As comissões, meu filho, as comissões…!”).

Dissertei seguidamente sobre a incompetência dos responsáveis da Federação Angolana de Patinagem, com um extensa lista do nada que tinham feito, destruindo irreversivelmente todo a trabalho até então laboriosamente conseguido, afirmando-lhes que a partir daquele momento só lidaria com o Director Técnico, Bastos de Abreu, um homem bom, reservado e calmo, que me acompanhou como uma sombra em todos os meus actos. Espero que tenha tido o cuidado de guardar todos os registos para memória futura, como era sua obrigação. Claro que os dois dirigentes por mim visados reagiram, tirando das algibeiras algumas acusações mesquinhas, uma das quais me fez delirar: – o facto de estar a rir-me com o Livramento, durante o jogo que Angola realizou contra Portugal. (que mais poderiam imaginar?)

Em face deste meu posicionamento, telefonemas devem ter sido efectuados para Luanda e um par de dias depois veio o Director Nacional do Desportos, sr. Sardinha de Castro, que reuniu com o resto da Delegação, e de seguida conversou comigo, manifestando-lhe eu a minha incredibilidade pelo que estava a suceder.

Seguiu-se mais tarde a visita do Secretário de Estado, Dr. Rui Mingas, com o seguimento que mais adiante se apreciará.

Tudo isto passou despercebido, com excepção dos dois radialistas amigos do Huambo, surpreendidos e curiosos pelo que tinham encontrado, aos quais dei uma entrevista no Hotel Ofir, esclarecedora dos acontecimentos. A única exigência que fiz foi que ela não podia ser publicada nem tampouco ser emitida por qualquer rádio. Cumpriram, e agora tenho de encontrar a cassete, cópia dessa entrevista, perdida numa das minhas gavetas, pois desejo registar os seus nomes, como agradecimento pela sua seriedade e profissionalismo, demonstrado durante o estágio na “cidade-vida”, como Pires Ferreira a apelidou.

Passou despercebido mas não deve ser obliterado da História. Nunca fantasiei em relação aos resultados que a Selecção a meu cargo podia obter. Sabia o que nos esperava em Montreux e nunca saberei o poderíamos ter atingido no Mundial, a manter-se o programa pré-estabelecido. A única probabilidade era termos subido uma ou duas posições na classificação final, o que para mim representaria total sucesso da empreitada. De qualquer modo a Selecção entrou no Grupo “A”, que era um objectivo antecipado. Estes dirigentes incompetentes, em Carcavelos ou talvez quando pagaram adiantado os hotéis e à revelia dos responsáveis técnicos, agendaram 3 jogos particulares, exactamente no período de 5 dias planeados para um tão necessário ciclo de descompressão, que terminaria 24 horas antes do início dos jogos em Lisboa.

No decorrer do Campeonato do Mundo, fui procurado pelo Arnaldo Alarcón, um homem completamente abatido pela anarquia que se verificava com os atletas a quererem ver jogos e os dirigentes a obrigá-los a regressar pois a viagem era longa. Era evidente o aumento de peso dos atletas, desregulado pela falta de controlo, coisa que não me passava despercebido, sentado na bancada. Os guarda-redes Angolanos chegaram a defender e arrastar-se de joelhos, (cruzes canhoto!), coisa só vista hoje em dia.

O Campeonato do Mundo em Barcelos foi um dos mais participados até então, e muito bem organizado pela Federação Portuguesa de Patinagem, como é sua tradição. Liberto da Selecção de Angola, instalei-me com a esposa e filho no Hotel Ofir, a portas com o casal Castel-Branco, jantando e conversando juntos. Por outro lado, pude confraternizar com os elementos da nossa Selecção e das Selecções da Itália, dos Estados Unidos e outras que estavam lá hospedadas e seguir com a nossa para o Pavilhão de Barcelos. Assisti, com especial interesse, o desenrolar dos jogos que culminaram com a vitória merecida de Portugal, que se exibiu a um nível elevado contra uma Espanha poderosa.

Chana foi o astro que brilhou, não ofuscando porém, o resto das estrelas à sua volta e recebeu das mãos do Presidente do Comité Olimpico, Don Juan Samaranch, o seu próprio emblema de ouro Olímpico, de lapela, numa prova de admiração por esse jogador. Além de ter sido uma final extraordinária que fez delirar o Pavilhão superlotado, foi uma das mais brilhantes finais a que assisti e que ainda hoje perdura na minha memória.

Pequeno ensaio sobre a modalidade. Na capa, Eduardo Jordão, um jovem GR que não cheguei a conhecer…

Durante a prova, a Editorial Presença, enviou de Lisboa 500 exemplares de um pequeno livro sobre Hóquei em Patins, de minha autoria, acabados de ser impressos e que coloquei numa banca de vendedor à entrada do Pavilhão, esgotando-se rapidamente. Por outro lado, foi no Hotel Ofir que me convidaram para ir para a Itália resolver o problema da equipa representativa do Hockey Clube Monza, que na época já passada correra o risco de cair de divisão, pois classificara-se nos últimos quatro. Baixaram três, tendo o Monza escapado por um triz, ao ter registado um “goal-average” superior ao da equipa com quem estava empatada em pontos. Mas isso é assunto para mais adiante.

Enfim, para finalizar, transcrevo o seguinte documento cuja minuta foi por mim elaborada, a pedido dos Vices-qualquer coisa, pois eram incapazes de o produzir, anotando a negrito normal, as alterações sofridas feitas à minuta original e, a negrito normal, os meus esclarecimentos. Assinei a minuta acima referida em Huambo, no dia 30 de Março de 1982, como sempre à última da hora, como se pode verificar pela data do Regulamento da Selecção.

«REGULAMENTO GERAL DA SELECÇÃO NACIONAL

DE HÓQUEI EM PATINS

I

«A Selecção Nacional de Hóquei em Patins vai representar o País na Taça das Nações e no XXV Campeonato de Mundo que se realizarão, respectivamente, em Montreux – Suiça -, em Lisboa e Barcelos – Portugal -, a primeira nos dias 8 a 12 de Abril e o segundo nos dias 1 a 16 de Maio.

Este acontecimento, de grande importância para o Desporto Angolano em geral, e para a modalidade de Hóquei em Patins em particular, não poderia deixar de ter sido encarado pela Federação Angolana de Patinagem que, para o efeito, fez contratar em Portugal um técnico da modalidade que se responsabilizasse pela preparação da Representação Angolana e orientasse a mesma não só em estágio como também em competição.

Sendo a primeira vez que a Selecção Nacional de Hóquei em Patins participa em competições daquele nível, surge a dupla responsabilidade de se conseguirem os melhores resultados desportivos possíveis e de se prestigiar inequivocamente o País, não só dentro do campo, como em qualquer outro local e em qualquer altura.

A Selecção Nacional de Hóquei em Patins, será como um espelho. Todos os olhares estarão postos nela, numa atitude de curiosidade e de crítica e o seu comportamento será registado, quer nos jogos, quer na sala de estar, quer nas bancadas, quer nas ruas.

A Selecção Nacional vai partir com a consciência da sua força e da sua modéstia, sabendo que as vitórias e as derrotas não se alcançam exclusivamente por meio do “placard” final e que, acima de tudo, importa a maneira digna como as mesmas se verificaram.

Os responsáveis pela Selecção Nacional pretendem, com o presente documento, regulamentar a actuação geral dos elementos que compõem a mesma, sejam atletas ou sejam dirigentes, de modo a que fiquem definidos duma forma clara e concisa, os parâmetros das suas funções, responsabilidades, deveres e direitos.

II

A Selecção Nacional pretende ser um grupo coeso e eficiente, constituído por 12 atletas escolhidos de entre os melhores que se encontram a praticar a modalidade e que satisfaçam os requisitos e critérios gerais de selecção, apoiados e orientados por um grupo que constitui a chefia da Delegação, e por um grupo Técnico formado pelo Director Técnico, um Seleccionador Nacional, um Treinador Adjunto, um Preparador Físico, um Médico, um Massagista e um Mecânico/Roupeiro.

A Selecção Nacional considerada no seu todo como uma Delegação Desportiva, será chefiada pelo Director Nacional dos Desportos, coadjuvado por um elemento do M.P.L.A. Partido do Trabalho e 2 elementos da Federação Angolana de Patinagem, que serão os responsáveis gerais. (Minuta original: – A Selecção Nacional considerada no seu todo como uma Embaixada Desportiva, será chefiada por elemento indicado pela entidade competente com as funções e responsabilidades que a mesma entidade entender atribuir-lhe e que participará sempre que possível ou quando convidado para o efeito, das reuniões do Colectivo da Selecção, assumindo automaticamente a presidência do mesmo.)

Caberá a este grupo de chefia a atribuição de convocar reuniões sempre que necessárias, e funcionará sempre como última instância na análise e decisão de propostas da Comissão Técnica e do representante dos Atletas. (Este parágrafo que vem em sequência da alteração do parágrafo anterior, não constava da minuta original.)

III

O Colectivo da Selecção Nacional é constituído pelo Grupo Técnico e por um representante dos Atletas coadjuvado por outro colega.

Reunirá obrigatoriamente uma vez por semana e, extraordinariamente, sempre que convocado por qualquer das partes que o constituem, bastando para o efeito, de comunicações verbais e indicação do assunto a tratar.

De todas as reuniões se farão as respectivas actas cuja elaboração ficará a cargo dos atletas a elas presentes. Poderão participar nas reuniões do Colectivo os elementos da chefia da Delegação na qualidade de observadores.

IV

DAS FUNÇÕES, DEVERES E DIREITOS

1 – O DIRECTOR TÉCNICO

a) – É responsável pela logística de apoio à Selecção Nacional e assistirá o Seleccionador Nacional na previsão e resolução de problemas.

b) – Presidirá a todas as reuniões do Colectivo. (Minuta original: – Presidirá a todas as reuniões do Colectivo, sempre que o Chefe da Embaixada não esteja presente.)

2 – O SELECCIONADOR NACIONAL

a) – É o responsável exclusivo pela formação, preparação e condução dos atletas que formem a Selecção Nacional e pelos grupos que se constituirão para participar nas diversas jornadas das provas que vão disputar.

b) – Usando da sua competência, conhecimentos e experiência, definirá uma estratégia geral de preparação e um planos de trabalhos, para o qual obterá a intervenção e concordância do Grupo Técnico em geral e dos seus componentes em particular e supervisionará a sua implementação.

c) – No âmbito da técnica e da táctica desportivas, as suas decisões são finais.

d) – Defenderá sempre os interesses desportivos da Selecção a seu cargo, usando os seus conhecimentos e experiência com máxima honestidade, imparcialidade e eficiência. Acima de tudo, defenderá o prestígio do País, antecipando, prevenindo e actuando energicamente em todos os momentos que o mesmo seja ameaçado para o que obterá o consenso do Colectivo da Selecção, quer em reuniões ordinárias quer em extraordinárias.

3 – O TREINADOR-ADJUNTO

a) – Assistirá o Seleccionador Nacional na implementação das suas funções quer a nível de treinos quer a nível de jogos.

4 – O PREPARADOR FÍSICO

a) – É o responsável pela preparação física e manutenção da forma e capacidade atlética dos jogadores, discutindo sempre a metodologia de treino com o Seleccionador Nacional, o Treinador Adjunto e o Médico.

b) – Elaborará o programa diário de actividades da Selecção Nacional de que dará conhecimento antecipado ao Seleccionador Nacional e afixá-lo-á, em sítio visível, para conhecimento dos Atletas e do Colectivo.

5 – MÉDICO

a) – É o responsável pela saúde dos componentes da Selecção Nacional em geral e dos Atletas em particular.

b) – Aconselhará, em conjunto com o Preparador Físico, a dieta mais adequada para o regime da actividade desportiva dos componentes da Selecção Nacional.

c) – Fiscalizará e controlará os medicamentos ingeridos pelos Atletas, sendo da sua exclusiva competência o controlo “anti-doping”.

d) – Com o Preparador Físico, efectuará os testes de verificação da saúde desportiva dos Atletas, quer quando solicitado por aquele, quer por livre iniciativa.

6 – O MASSAGISTA

a) – Dentro do âmbito da sua especialidade, assistirá o médico e o Preparador Físico, na implementação das suas funções.

7 – MECÂNICO/ROUPEIRO

a) – É o responsável pelo equipamento da Selecção Nacional, pelos materiais e ferramentas.

b) – Assistido pelo Treinador Adjunto e pelo Director Técnico, procurará manter um alto grau de eficiência dos equipamentos.

8 – OS ATLETAS

São o núcleo principal da Selecção Nacional, sobre o qual recairá a grande responsabilidade de defender desportivamente as cores de Angola e de prestigiar o País em todas as circunstâncias, em todos os momentos e lugares onde se encontre. Os atletas terão em consideração o seguinte:

a) – Actuarão sempre com o máximo de civismo e boa educação, quer em campo quer fora dele, e porão os seus melhores esforços e sacrifícios, a sua capacidade física e a sua técnica, ao serviço da Selecção Nacional.

b) Afastarão para os lugares de esquecimento, as suas presunções individuais e as diferenças pessoais que poderiam existir no passado, quer entre eles, Atletas, quer entre eles e os dirigentes. Fá-lo-ão com o espírito de criarem o grupo onde a amizade, o companheirismo e a entre-ajuda serão sempre as componentes que acabarão por cimentar e fortalecer a união tão fundamental em competições desta natureza.

c) O núcleo dos Atletas é composto por 12 jogadores, dos quais só dez serão inscritos em cada prova, só oito se registarão para as diversas jornadas e só cinco se apresentarão dento do campo.

– 1. Os atletas aceitarão com desportivismo a escolha do Seleccionador Nacional e continuarão agir e a trabalhar nos treinos e nos jogos e fora deles com o mesmo entusiasmo e ânimo que devem prevalecer sempre no Desporto.

2. Os Atletas que não se equiparem serão destacados para outras tarefas não menos importantes, de apoio à Selecção Nacional, tais como, compilação estatística dos jogos, elaboração de actas e apoio geral aos demais componentes da Selecção.

4. Aceitarão sempre com prontidão e boa vontade as indicações e ordens dos elementos do Grupo Técnico, do Capitão da equipa e, em especial, as do Seleccionador Nacional referentes às questões técnico-tácticas de treinos e de jogos.

5. Elegerão entre si um representante e um adjunto que participarão das reuniões do Colectivo, ao qual apresentarão todos os seus problemas, necessidades ou desejos para eventual análise.

a). Serão os responsáveis pela elaboração das actas e, em caso de impedimento, serão substituídos nesta função pelos atletas em excesso.

6. Terão sempre em mente, que os mais elevados graus de disciplina, de sacrifício, de trabalho e de compostura, são exigências naturais e inescapáveis de todos os desportistas, especialmente nestas provas internacionais, de Alta Competição.

NOTA: O Seleccionador Nacional e o Treinador-Adjunto (não constava na minuta original por lapso do autor), o Preparador Físico, o Médico, o Massagista, o Mecânico/Roupeiro, o Director Técnico, são responsáveis, os primeiros pelos relatórios da preparação técnico-táctica, da preparação física, dos aspectos médicos e de saúde geral desportista: os segundos, dos inventários, dos medicamentos e dos equipamentos e materiais e o último, do relatório final da campanha, Diário da Selecção e dos álbuns de fotografias e dos recortes da imprensa referentes à Selecção Nacional.

V

DAS SANÇÕES DISCIPLINARES

Em caso de infracção às regras deste Regulamento ou das regras gerais de comportamento moral e civil, que são normas estabelecidas e aceites nestes casos de Delegações Desportivas, as mesmas serão passíveis de sanções Disciplinares. (Simplifica o texto original que rezava o seguinte: – …nestes casos de Embaixadas Desportivas, qualquer elemento que constitui a Selecção Nacional, poderá ser admoestado por escrito ou suspenso definitivamente do seu cargo e funções. A) – No caso de suspensão definitiva, será afastado da Selecção Nacional e regressará a Angola no mais curto espaço de tempo, sendo passível, posteriormente, de procedimento disciplinar por entidade competente. B) – Tanto a admoestação por escrito, como a suspensão definitiva, só poderão ser aplicadas depois de ouvido o Colectivo da Selecção Nacional.

VI

DAS RELAÇÕES COM A COMUNICAÇÃO SOCIAL

1 – Os porta-vozes da Selecção Nacional são os chefes da Delegação (Embaixada, na minuta original), o Director Técnico e o Seleccionador Nacional, que se exprimirão livremente dentro das respectivas áreas de acção e de responsabilidade.

2 – Aos demais componentes da Selecção Nacional, fica expressamente proibida a concessão de entrevistas, sem o prévio conhecimento de pelo menos um dos porta-vozes da Selecção Nacional.

a) – A permissão para as entrevistas será sempre concedida tendo em conta as circunstâncias do momento, as razões, finalidade e conveniência das mesmas.

b) – Em relação aos Atletas, para entrevistas de carácter geral, será seu porta-voz o Capitão da Selecção.

VII

DAS RELAÇÕES EM GERAL

A fim de se prestigiar o País, todos os componentes da Selecção Nacional manterão o mais elevado nível de educação, aprumo, cortesia e respeito para com o público em geral, para com as Entidades Oficiais e Desportivas do País anfitrião e outros.

Para o efeito, cuidarão da sua apresentação pessoal, do seu asseio e maneiras, a todos os momentos e em qualquer lugar.

A maior dignidade será apresentada em campo, nas mesas de júri, no banco dos jogadores, quer nos momentos de infortúnio quer naqueles mais felizes e em especial, fica expressamente vedado o desrespeito para com as decisões das equipas de arbitragem, quer no decorrer dos jogos em que a Selecção Nacional participa, quer durante aqueles que vá assistir.

FEDERAÇÃO ANGOLANA DE PATINAGEM, aos 31 de Março de 1982: – ANO DA ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA E DA VIGILÂNCIA POPULAR.»

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