1957/1967 – O apogeu do hóquei moçambicano – parte 6 – Vaz Guedes

X ANIVERSÁRIO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DO HÓQUEI EM PATINS DE MOÇAMBIQUE

José Vaz Guedes

«Apresentação desnecessária

Entre outras, este boletim tem a finalidade de levar aos novos algum conhecimento sobre o prestígio que o hóquei moçambicano alcançou no campo internacional, e fazer recordar aos mais antigos, alguns aspectos que, talvez, o passar do tempo tenha feito esquecer.

Ninguém melhor que os próprios intervenientes nas memoráveis partidas internacionais que tornaram conhecido e respeitado o hóquei em patins de Moçambique, poderia fazê-lo…

As páginas que se seguem constituem um testemunho de muito interesse dos maiores hoquistas que Moçambique já teve».

Sem esquecermos José Vaz Guedes, também em página do mesmo boletim.

(Excertos de edição de Produções Golo, 22 de Maio de 1967)

«No dia 19 de Dezembro de 1966 realizou-se no Pavilhão de Desportos em Lisboa, a festa de despedida de José Vaz Guedes. Para além do significado que uma festa de despedida pudesse revestir, o acontecimento traduziu plenamente uma homenagem do Desporto Nacional a um desportista cujas qualidades de carácter, desportivismo e abnegação, se situam muito para além do que seria lícito pedir a um homem, para quem o desporto era apenas uma forma mais de afirmar a nobreza da sua índole.

Nesta página traçamos, breves, o perfil dum homem e dum desportista. José Queirós Vaz Guedes é um exemplo raro que também raros saberão seguir. Aqui fica, no entanto, para que os vindouros possam aferir o seu porte por um padrão superior. Esta página é assim uma comparticipação tardia do desporto moçambicano, ao preito de homenagem que Portugal inteiro lhe concedeu no dia 19 de Dezembro de 1966. Ela é também uma expressão de apreço e um agradecimento, pelo muito interesse que José Vaz Guedes sempre manifestou pelo hóquei de Moçambique, bem como pelo amor que sempre teve por esta nossa terra.

Nasceu no Pego do Altar, nos arredores de Alcácer do Sal, em 13 de Outubro de 1938. Iniciou a sua carreira de hoquista em 1950 como jogador Infantil. Em 1953 subiu à categoria de Juniores e em 1955, apenas com 16 anos de idade, passou a Sénior, tendo sido pela primeira vez internacional. Num ritmo magnífico de êxitos consecutivos, Vaz Guedes, que ao longo da sua carreira não sofreu nenhum castigo, foi vencedor das seguintes provas:

7 Campeonatos do Mundo e da Europa;

4 Taças Latinas;

2 Torneios de Montreux;

1 Taça Ibérica;

1 Taça Teresa Herrera;

3 Jogos Luso-Brasileiros;

3 Torneios Internacionais de Lourenço Marques;

1 Torneio Internacional do Rio de Janeiro;

1 Torneio Internacional de Luanda;

1 Torneio Internacional de Lisboa.

678 jogos disputados; 461 vitórias; 79 empates; 138 derrotas; 523 golos marcados; 30 jogos de Selecção de Lisboa; 15 vezes capitão da Selecção de Lisboa; 115 vezes capitão da Selecção Nacional; 132 internacionalizações.

Agraciado com as medalhas de Mérito Desportivo Nacional e Mérito Desportivo de Angola

 

Vaz Guedes, no seu estilo poderoso e determinado, pronto a intervir numa fase do jogo contra o Chile, Campeonato do Mundo de 1966, em S. Paulo, Brasil, ante a expectativa de Adrião, José Pereira e dois adversários

 

 

 

 

 

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4 Responses to 1957/1967 – O apogeu do hóquei moçambicano – parte 6 – Vaz Guedes

  1. f j craveiro de carvalho says:

    Caro FV

    Lembro-me bem do torneio de Montreux, 1958 creio, em que ganharam a Espanha 4-2, depoide estarem a perder 2-1. Na vespera haviam batido a Italia por 8-1.
    Nao houve um campeonato, em espanha, em que tiveram de jogar 2 jogos na mesma noite, por causa da repeticao do jogo com a Alemanha?

    Memorias inesqueciveis, sem Tv, um radio, aquelas caixas antigas, estar ate as tantas e a arrelia de nao conseguir estar acordado ate muito tarde, quando jogavam noutras paragens para ocidente.
    Equipa excepcional: Moreira, VG, A, V e B.
    E a espanha com Largo (Zabalia) , Orpinelli, Parella, Gallen e Puigbo.

    Um abraco.

  2. Velasco says:

    Caro Craveiro de Carvalho
    Foi quase como escreveu, 8 a 1 à Itália na véspera, mas estávamos a perder 0 a 2 na 1ª parte dessa final que vencemos por 4 a 2. O jogo repetido com a Alemanha foi numa prova em que estive ausente. O resultado dessa partida colocou os alemães no grupo que participaria no próximo Mundial, como era da praxe. Todavia, houve quem acusasse que o “score” tinha sido combinado, o que não foi verdade, e as autoridades desportivas obrigaram a uma repetição imediata. O desfecho foi o mesmo e, curiosamente, desta vez foi tudo combinado pelos capitães das selecções, que acharam a decisão injusta… e os teutónicos lá foram para o Mundial. Há coisas, na verdade, que nem lembram ao diabo! Se der uma vista nos títulos no topo deste site, e abrir ALBUNS, vai dar com uma descrição deste Torneio e fotos. Não faça “slide show”, que não está operacional, pode clicar uma a uma para ampliação.
    Um abraço e obrigado pelo comentário.

  3. jose correia lino says:

    eu era um miudo quando esta gente jogava, equipe principal da seleção nacional:
    moreira, vazguedes, adriao, velasco e bouçós,. era um delirio ouvir os relatos do hoquei patinado.
    curiosamente e teria por aí os meus 9 anitos , papagueava lá na tasca da vila os vossos nomes e respectivos feitos colocando os adultos de boca aberta…até que um deles maliciosamente , para me atrapalhar, me diz que vocês apesar de não serem portugueses faziam parte da nossa seleção.
    confesso que fiquei momentaneamente sem resposta e deveras atrapalhado–então se não eram portugueses como era isso?–então num golpe de sorte arrisquei e acertei mesmo sem saber :
    –são moçambicanos não são ? !!!

  4. Velasco says:

    Caro José Correia Lino

    O malandro que maliciosamente o atrapalhou devia ser um adulto como muitos que conheci nas vilas e eram eternos brincalhões… Esclarecendo este assunto, o Moreira, os irmãos Souto, o Velasco e o Bouçós não nasceram aqui na Metrópole mas eram Portugueses bem como todos os elementos que compunham a Selecção Nacional, o Vaz Guedes e outros seleccionados, incluindo o Adrião que foi para África ainda menino. Por vezes participávamos em Torneios com a Selecção de Moçambique, outras vezes com a Selecção de Lourenço Marques. Tratarem-nos como Moçambicanos foi consequência do hóquei Laurentino ter feito duas digressões pela então Metropole, em 1955 e 1957. A partir da nossa entrada na Selecção Nacional éramos todos Portugueses. À nossa volta havia resmas de ribatejanos, minhotos, algarvios, transmontanos, alentejanos, etc, etc. e muitos praticavam desporto por essas Aldeias, Vilas e Cidades.

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